quinta-feira, 7 de abril de 2016

Apenas

Minha noite é quase quieta. Quisera eu alguma agitação que não o estalar das telhas e os insetos cantando no mato alto da vizinhança. Essa noite tão particularmente triste. Indiscutível soluça enquanto um carro resolve se anunciar grave: descortinou que há vida lá fora e que logo vai amanhecer esse dia assombrado - que temo; por ser tempo.
Latidos quebram ou entrelaçam esse eco que ressoa na paisagem. Aqui em mim há lembranças contidas e detidas na ânsia egoísta de ser trágico, menos. Apenas.
Calado eu repito a cena; a angústia e o medo de tudo que não está em mim.
Queria o poder que tem a fé das preces. Eu oraria por ti, por mim, por nós, por todos, até por aqueles e sobretudo por aqueles. Tento ouvir mais longe. Aproprio-me dessa "mudez" em que despido confesso a maior das ausências.

5 de abril de 2016 - em memória de Angela Mirati