segunda-feira, 20 de abril de 2015

Ela sempre volta

São exatas duas semanas.
Parecem anos de tortura, dor e arrependimento.
Ainda não consegui sair desse apartamento.
Ainda estou enterrada aqui. Este é o meu túmulo tumultuado.

A mesa em que digito é a personificação, em objeto, do caos.

Sou caótica. Esta definição não me basta.
Ela nem sequer me representa.

São duas semanas. Duas semanas e eu ainda espero ela voltar.
Ela sempre volta.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Ainda

Ela se foi.

Nada resume e destroça de melhor forma. Foram meses tão tristonhos.
Foram meses tão sofridos. Eram dias tão cruéis, tantas dores, tantas dores.
Suas lágrimas, sua angústia, seu olhar calado, suas rugas.

Foi na tarde de um domingo e choveu tão forte no exato instante que ela se foi. Choveu o restante do dia. Chove em mim, ainda.

Era tão óbvio que alguém, tão assim, não permaneceria neste caos por muito tempo.
Gostaria de segui-la, agora. Mas, não ainda.

Como eu sinto esse vazio. Choro que não sai da face. Olhos que ardem. Desatenção. Solidão. Medo.

Ela era tudo.
Ela se foi.