sábado, 29 de novembro de 2014

Eu nem acredito que tenho casa. Que tenho mãe. Que tenho uma irmã que tem um bebê. Eu nem acredito que estou, aqui, fumando e olhando pela janela enquanto no mês passado minha mãe quase morreu.
Eu nem acredito que semana passada eu era importante. Eu que nem sei direito o que vivi nesta semana.

Não me reconheço em minhas memórias.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Olhos na rua poeirenta

Eu estava diante de uma tela branca
e depois diante da pele branca.
Tão sensíveis os dois.
Tão excêntricos os dois.

A essência de tudo aquilo
era aquilo que se buscava.
A felicidade do próximo minuto.
Como se o atual momento não bastasse.

A espera aflita e ansiosa de algo que ainda está por vir.
Como se o imediato não fosse necessário.
Assim aqueles pelos claros e olhos claros sintetizaram o óbvio.
Ainda não havia encontrado o que precisava.

Mas, dificilmente conseguiria encontrar
pois, não dispunha da capacidade de reconhece-lo.
Eram cinco espaços distinto e aqueles olhos.
Bonitos olhos brilhavam em minha direção.

Tão frio e tão distante de mim.
Nunca realmente senti alguém tão longe.
Nem os antigos, os falecidos
ou os que deixaram de ser amigos.

Ele se foi entre três beijos de despedida.
Ela ficou sem um adeus na rua.
Ele permitiu um abraço e depois saiu divagando
e eu fiquei aonde sempre estive.

Na poeira que cai das calhas da chuva.