quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Palavras soltas

Quase sempre a interlocução parece ser o melhor dos caminhos.
Tratados são eleitos em nome dos diálogos.
Ensaios em nome da conversa e
há quem até profetize a evolução da comunicação.

Mas, o fato é que palavras são soltas.
Aquele que tiver dito que palavras não são ações
talvez não tivesse observado o impacto delas em superfícies tranquilas.

Talvez nem eu saiba, Mas, sei que as palavras
deveriam ser cautelosas, pois somos feitos de ouvidos,
filhos sangrados com medo.
Receio de não sermos: agradáveis, interessantes
e o medo de não sermos leais.

Porém, lealdade é apenas uma palavra e uma ação.
Vejo na nossa desconfiança os traços estrábicos
da deslealdade. Suspeitos que somos; suspeitamos.

Assim cobramos sinceridade. Sinceridade nas palavras.
Sinceridade que pode ser dita por um monossílabo.
Mas, não é esta palavra que eu busco.
Eu busco palavra; palavras soltas.

Releituras e repaginadas.

Sempre que me releio me acho tão imatura que chega a dar náuseas.
Leio os outros em entrelinhas.
Leio as vírgulas nas explicações das gramáticas.
Leio os avisos e as placas de funerais.

Mas, quando me leio me acho tão feio e tão banal.
As vezes eu falo de amor pelos ouvidos.
As vezes falo de viagens que não vivi.
As vezes só as vezes cito pessoas que nunca existiram além da minha imaginação,
mas ainda assim eu me deixo aqui; visível e risível.

Então é melhor eu fazer outra coisa. Talvez escrever.

sábado, 24 de agosto de 2013

"Pre" Conceito de amor: o Amor é a Cuca

Já faz tempo em que não falo de amor.
Nada de novo no horizonte. Não há amor por estes dias. Nem na caixa de correio e tampouco na de cereais.
Inexiste amor nos emails e inclusive pode parar de procurar por ele nas páginas dos jornais.
Periódicos de cidadezinhas interioranas? Sem chances.
Nos cartazes de procurado, nos inquéritos policiais, nas digitais da vidraça e nem no sorriso amarelo da vizinha que fala ao celular. O amor também não está no celular; talvez esteja ao celular deixando uma mensagem ordinária na caixa de entrada de alguém.
O amor não está no glúten e nem nos glúteos.

Os grãos de areia em vão tentaram defini-lo e com o tempo foram soprados para longos desertos distantes, onde engarrafados jazem em prateleiras empoeiradas.

Já faz tempo que falei de amor, pois o amor se tornou banal e raro.
Antítese de si mesmo.
Ontem eu me contorcia em buscas e pesquisas e de repente lembrei-me que caixas d'águas as vezes vazam. Nada mais significativo do que o nada bem aproveitado.

Assim, deixo a mensagem para aqueles que pensam que amam e também para aqueles que pensam que são ou que já foram amados: balela; o amor não existe.

- Mal amada! - Alguém grita.

Se o amor existe, pessoa efêmera, então ele é a Cuca. Sim, a Cuca. Pesquise sobre folclore e perceberá que nada mais parecido com "Amor" do que um réptil vingativo. Poderia ser um T-Rex com TPM. Mas, vai saber! Ainda não fui tão longe nos meus dias.

Por enquanto "Pre" Concebo este "Pre" Conceito de amor:
o Amor é a Cuca.