segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Na época do Opala

Quando eu era pequena tinha vergonha de andar com meu pai.
Ele tinha um carro velho que vivia dando problemas. Normalmente, tinha de ser empurrado ou socorrido por reboques; mecânicos; curiosos e afins.
Fato é que era um Dodge Charger, preto, dos idos de 71 ou 73 não estou bem certa e meu pai passava boa parte do dia concertando o danado do carro.

Até que um dia ele comprou um Opala, de segunda mão, cinza metálico, duas portas e funcionava. Aliás eu me lembro do Opala muito bem. Meu pai desmontava o Dodge e levava a gente para ir ao mercado ou algum outro lugar no Opala e sempre que eu olhava para trás o Dodge estava com aqueles faróis tristes de quem foi preterido. As vezes eu me sentia culpada por preferir o carro que funcionava ao velho Dodge. Mas, era só dar uma chance ao carango e ele nos deixava na mão.

Um dia meu pai teve de vendê-los para pagar dívidas: o Opala foi para um rapaz e o Dodjão foi para o ferro velho. Fico pensando como será que está aquele estofamento e aquela marcha acoplada ao volante; tantas horas que meu pai dedicou àquele motor. Tempos bons aqueles em que meu pai definia o meu destino e sentir culpa por um carro enguiçado era o maior dos meus problemas.

Miniatura de Dodge Charger