domingo, 4 de setembro de 2011

A rezadeira mágica se foi.

O céu está azul
e não tenho cores nos olhos.
Este dia nubla meus pensamentos.

Quero apenas existir neste momento
sem planos para o minuto seguinte
só a agenda inevitável das horas de domingo.
Da semana quero apenas o feriado
ou a folga
e talvez encontrar no final da tarde 
a loucura de deitar fotos na memória.

Apenas isso: apenso sorrisos
e anexo declarações
esperando no tempo essa multidão
que reboca.

Quero apenas o pestanejar das "cem" horas
e ouvir conversas sem sentido.
Olhar o relógio e ter no ouvido
o ponteiro que contou o tempo em que ela rezava para afastar
o mau dos meus caminhos
e entre fumaças e frases desconexas
entoava mantras que até hoje desconheço o  significado.

Adeus!...

Existência marcada
na minha história e eu que fui só mais uma
criança abençoada em sua trajetória; sentirei saudades
de todos os momentos que não vivenciamos.
Na memória há a fumaça, vacilações
e arrepios da casa velha.
Todo aquele cheiro de mofo, o ruido do assoalho,
toda aquela mobília abandonada,
toda a poeira e a luz que entrava pelo vidro no alto da porta.
Enquanto a magia desenhava tua silhueta no espelho.

Dia desses a gente se vê não mais entre os panos que cobriram as cadeiras e nem entre cortinas que escondiam o lugar. A gente se encontra por aí entre uma porta e outra; dessas que ligam os mundos e fazem da eternidade um lugar só.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Pintando

Com o verde dos seus olhos
aquarelo este céu cinza
e quem sabe sobre um
pouco de tinta
para eu esverdear
os teimosos galhos secos
e meus mares revoltos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

I e II da utilidade

I

Controle mensal não datado;
canoa furada;
planta de plástico;
caneta sem tinta.

Amor corrompido;
sinal fechado;
gato morto;
nariz entupido;
carro quebrado;
pasto sem boi;
remoer o que já se foi.

II

O porta-lápis está lotado
de lapiseiras sem grafite,
adiante a tesoura cega
está pousada por sobre
o bilhete apagado
e todas essas coisas
povoam a mesa
onde não trabalho.