Ele fazia um miado estranho
quando eu decidi buscá-lo na chuva e na lama.
O barranco não colaborava com minhas botas
e minha falta de jeito o afugentou para longe da toca.
Ele por medo parou nos braços de minha mãe.
Pequeno e malhado.
Tão frágil.
Pê; dei-lhe um nome.
Logo, descobrimos que o Pê
era um batalhador.
Sua curta vida foi de luta,
lutou para ficar vivo o tempo todo
todo o tempo, insistente
incansável, corajoso sempre.
Pê faleceu hoje vítima de uma doença
que adquiriu sobrevivendo ao ataque de um cachorro.
Adeus Pê!
Vou sentir saudades de seu miado esquisito,
de você beber água na torneira da rua,
de você virar o pescoço para olhar para a gente
e sempre lembrarei do guerreiro que você foi.
Descanse no céu dos gatos... onde sardinhas brotam em árvores
e onde a água corrente das torneiras sempre estarão
ao seu dispor e se der, querido Pê, veja se em algum desses céus você vê o Pai
dê-lhe um miado cumprido e uma mordida para não perder o costume.
Já sinto saudades.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
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