sábado, 20 de agosto de 2011

Receita de Perigo (de Mayconl)

Poucas pessoas se vestem de estrelas
pois, estrelas ofuscam exceto quem tem luz própria.
Ele anda vestido de nebulosas e nos seus universos interiores
flutuam planetas coloridos e o sol de sua essência ilumina
para além do horizonte conhecido.

Portanto, hoje não contarei minha história, hoje a atenção é para o Mayconl
Esta poesia transeunte por mistérios do invisível pousou em meus dias,
algumas horas, noutros minutos em um tempo de ponteiros próprios e se fez marcante
se faz Maycante.

Ele me segredou uma receita; a Receita de Perigo.
Confessou-me no rochedo de seus sentimentos entre os musgos
do amor falecido e nas serpentes da desilusão que havia feito uma jornada
para terras litorâneas em um lugar tão longínquo que nem ouso proferir o nome.

Anotou em um pergaminho virtual essas passagens...

Para acontecer a receita são necessárias:
1 dose de aventura;
Paixão (de qualquer tipo) para rechear;
1 alta dose de inconsequência;
1 gota de carência emocional e
1 pitadinha de incentivo.

Misture bem e beba em qualquer lugar.

A história não tem um fim em si mesma e a poesia está meio que escondida por um lacre
em garrafa de vinho antigo.

Na verdade esta receita não tem medida certa. Acho que cada um realiza esta alquimia com sua maneira e outros ingredientes agregam sabores mais amargos e momentos mais amenos.
Entretanto, caro poeta, o que importa é que para coração discriminado e Eros míope há remédio;

  persistência.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Adeus Pê!

Ele fazia um miado estranho
quando eu decidi buscá-lo na chuva e na lama.
O barranco não colaborava com minhas botas
e minha falta de jeito o afugentou para longe da toca.

Ele por medo parou nos braços de minha mãe.
Pequeno e malhado.
Tão frágil.
Pê; dei-lhe um nome.

Logo, descobrimos que o Pê
era um batalhador.
Sua curta vida foi de luta,
lutou para ficar vivo o tempo todo
todo o tempo, insistente
incansável, corajoso sempre.

Pê faleceu hoje vítima de uma doença
que adquiriu sobrevivendo ao ataque de um cachorro.

Adeus Pê!

Vou sentir saudades de seu miado esquisito,
de você beber água na torneira da rua,
de você virar o pescoço para olhar para a gente
e sempre lembrarei do guerreiro que você foi.

Descanse no céu dos gatos... onde sardinhas brotam em árvores
e onde a água corrente das torneiras sempre estarão
ao seu dispor e se der, querido Pê, veja se em algum desses céus você vê o Pai
dê-lhe um miado cumprido e uma mordida para não perder o costume.

Já sinto saudades.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Viver a madrugada

A caneta tinge a lauda pálida
pautas e pautas tremem provocantes.

Soluços e soluções por entre as senhas,
senhoras e esperas.

No íntimo o deserto se angustia,
há preguiça imprudente nos minutos!

de - mo - ra
          de - mo - ra
                    de - mo - ra

A eternidade 'no turno' nesta fresta,
as entranhas blasfemam ao acaso
no amarelo seco das figuras belíssimas.
Distraído
o dia amanhece por entre as veias.

Tímida e exausta a rua aponta para o infinito
enquanto isso
alguém adormece na distância
deste momento.