sexta-feira, 29 de julho de 2011

Esperar

Passam duas irmãs, gêmeas.
Uma pessoa reclama.
Depois sorri e vai.

O sobe e desce frenético.
Um alarme toca ao fundo e mais vozes 
chegam da rua.

O tapete exala o aroma dos pisoteados.
Na parede a textura imita piso
e o chão imita paredes e azulejos.

Alguém chega tão parecido com
quem é aguardado, mas não é de fato.
Confunde-se nos olhos outro retrato; nada.

O tempo parou; outro alarme e freada
e diversos sons que tocam entre o abrir
e o aguardar.

Alguém que foi, voltou.
Assim é o vai e vem.
Embaixo diminui a bateria e as teclas
descem saboreando o amargo
de xaropes e descongestionantes.

O céu descortina a noite
de lado surgem estrelas
e as luzes vermelhas das freadas.

Uma pessoa senta
tem os braços cruzados, as pernas cruzadas.
Tem a face fechada
e o rosto de testa franzida não colabora.

Quem é esta pessoa que também aguarda?
O tempo vai passando.
Uma bela mulher passa e deseja boa noite.
A moça ergue-se impaciente, 
parece uma boneca, levanta-se e sai.

O portão mais uma vez se abre
não é ninguém.