Uma pessoa reclama.
Depois sorri e vai.
O sobe e desce frenético.
Um alarme toca ao fundo e mais vozes
chegam da rua.
O tapete exala o aroma dos pisoteados.
Na parede a textura imita piso
e o chão imita paredes e azulejos.
Alguém chega tão parecido com
quem é aguardado, mas não é de fato.
Confunde-se nos olhos outro retrato; nada.
O tempo parou; outro alarme e freada
e diversos sons que tocam entre o abrir
e o aguardar.
Alguém que foi, voltou.
Assim é o vai e vem.
Embaixo diminui a bateria e as teclas
descem saboreando o amargo
de xaropes e descongestionantes.
O céu descortina a noite
de lado surgem estrelas
e as luzes vermelhas das freadas.
Uma pessoa senta
tem os braços cruzados, as pernas cruzadas.
Tem a face fechada
e o rosto de testa franzida não colabora.
Quem é esta pessoa que também aguarda?
O tempo vai passando.
Uma bela mulher passa e deseja boa noite.
A moça ergue-se impaciente,
parece uma boneca, levanta-se e sai.
O portão mais uma vez se abre
não é ninguém.
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