domingo, 31 de julho de 2011

O olho roxo

Atrás dos óculos escuros.
O olho roxo de um infortúnio.
Olha por trás das lentes
e, agora,
zomba de sua atual cor.


O olho que sabe que tem cor,
sabe que a cor passará
e enquanto não passa a maquiagem
disfarça.


Ele que irá passear
e ter novos olhares sobre
conhecidas paisagens.
Se deslumbrará, escolherá
e definirá o desejado
aos objetivos de sua visão.


Este olho desatento que
não olhou o suficiente.
Que não viu
ou não enxergou
e que se deixou magoar
e que se deixou machucar.


Agora está bem atento
e curioso, por trás das lentes,
investigando ao redor.


Este olho tão puxado
que pisca, colorido,
em meio a um sorriso nublado.

sábado, 30 de julho de 2011

Hoje é sábado e amanhã é domingo.

Amanhecer ganhando suco de acerola.
Rir e perceber que tem muita coisa boa acontecendo.
Sentir o sol tocando a pele.
O cheiro do mar.
A textura da areia.

Aquele jeito que só a praia tem.

Ver um casal de idosos caminhando de mãos dadas.
Crianças brincando nas calçadas e
ouvir um cachorrinho barulhento de olhar atento
que parece entender tudo...
...eis uma bela manhã de sábado.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Esperar

Passam duas irmãs, gêmeas.
Uma pessoa reclama.
Depois sorri e vai.

O sobe e desce frenético.
Um alarme toca ao fundo e mais vozes 
chegam da rua.

O tapete exala o aroma dos pisoteados.
Na parede a textura imita piso
e o chão imita paredes e azulejos.

Alguém chega tão parecido com
quem é aguardado, mas não é de fato.
Confunde-se nos olhos outro retrato; nada.

O tempo parou; outro alarme e freada
e diversos sons que tocam entre o abrir
e o aguardar.

Alguém que foi, voltou.
Assim é o vai e vem.
Embaixo diminui a bateria e as teclas
descem saboreando o amargo
de xaropes e descongestionantes.

O céu descortina a noite
de lado surgem estrelas
e as luzes vermelhas das freadas.

Uma pessoa senta
tem os braços cruzados, as pernas cruzadas.
Tem a face fechada
e o rosto de testa franzida não colabora.

Quem é esta pessoa que também aguarda?
O tempo vai passando.
Uma bela mulher passa e deseja boa noite.
A moça ergue-se impaciente, 
parece uma boneca, levanta-se e sai.

O portão mais uma vez se abre
não é ninguém.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Lágrimas e lamúrias

Eu a vi chorando.
Sempre a vi chorando.
Desde que eu me entendo por gente ela está chorando.

Era por ser gorda; por ser sozinha; pela casa alugada e pela água fria.
Era pela morte do gato; pelo vizinho silencioso; por falta de uma amiga.
Era pelo mosquito de dia; pela cama vazia; pela panela e pelo preço da carne.
Era por ele voltar tarde; por ele não voltar e por ele ficar.

Ela estava sempre chorando, chorando pelos cantos, chorando pelas beiras
chorando a choradeira.

Cresci vendo ela reclamando e chorando.
Tanta lágrima, tanto rosto vermelho, a face escondida entre as mãos
e um gemer baixinho.

Não sei quanto tempo isso pode durar, mas não me lembro de ouvir dela
as palavras: que dia lindo! Amanheci bem! Sou feliz!

Ontem ela chorava, novamente, hoje também.
São tantas lágrimas e tanta incompletude que não sei dizer de onde vem.

Gostaria um dia de vê-la sorrir, gargalhar, se esbaldar em uma farra boba e que ela fosse feliz.


Enquanto isso não acontece nasce uma nova ruga em meu rosto por causa da lágrima que não
d
       e
             s
                  c
                       e.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Olhando

Olhinhos lindos,
olhinhos tristes
meus olhos percorrem por ti teclas
e nomes.