terça-feira, 10 de maio de 2011

Uma carta

Oi,

eu escrevo na esperança de que você me leia e assim me lendo, me veja.
Eu sou apenas isto aí: essas palavras curtas ou essa pouca expressão.
Não me ensinaram a jogar pião e não sei fazer rodeios.
Odiei desde pequena brincar de roda ou correr em círculos.
Mas, desenhava nas margens do caderno longas espirais.

Sou só isso e talvez por isso eu seja prática, talvez seja por outros motivos, mas talvez... só talvez... hoje.

Digo hoje por ser hoje o dia. Aquele dia que consagraria um mês. Hoje, por seu descanso. Hoje, por ser o dia que eu chorei os meses de aniversário da morte de meu pai, a confirmação da mudança da minha mãe e quem sabe também a minha mudança. Hoje, por ser terça.

Somente por hoje, nem digo por ontem ou pelo final de semana. Hoje, apenas pelo hoje.

Sei respeitar, me ensinaram a respeitar e aprendi a me respeitar. Sou só isso.

Não há nada de prático nesta carta, ela não é uma receita de como me entender ou de como me enxergar; apesar do desejo de ser vista.
Escrevo esta carta na esperança de que você me leia, pois nenhuma outra forma de comunicação é mais necessária do que esta; agora.

No final tudo é apenas um emaranhado de palavras e muito do que foi lido nem foi dito e muito menos pensado. Não tinha a intenção de ser clara e nem de ser objetiva, pois sou péssima com as curtas palavras, curtinhas; palavrinhas.

Assim, me despeço desta carta e destas palavras sentidas.