domingo, 8 de maio de 2011

Na sala

Tenho na parede um monitor de tv que poderia ser uma janela para o mundo, mas não adaptei antenas.
Tenho também imagens de mulheres e seus ofícios, mas nunca queimaria um sutiã.
Tenho fiações expostas e laterais sem acabamento.
Nesta parede não há rodapé e o tom areia parece voar com o vento que toca de leve este cômodo.

A luz apagada desta sala faz com que as outras paredes, brancas, também façam parte deste momento com suas imagens e prateleiras, interruptores e caixas de energia, encanamentos e registros; tudo exposto nada escondido.

A unica janela na parede é uma passagem de ar, que tem grades e tela. Não há portas impedindo o caminho e é possível ouvir o som que ecoa no corredor e traz notícias da rua.

Esta parede tão areia e este teto com uma luz tão débil são os artificiais companheiros daqueles que habitam o silêncio das tardes de domingo. 

Em vão olho para o chão azul e tenho recordações do céu, o tão distante 
céu 
das paisagens de antigamente.