Escrevo por que sinto palavras nas veias,
vejo cores nas unhas da mão
que está pousada por sobre a folha.
Escrevo pois ouço os adoentados,
seus sintomas e
uma risada solta que vem da calçada.
Escrevo pois respiro
esse cheiro de chuva
e este assobio da freada de ônibus... que passou.
Escrevo por causo do apito agudo
do guarda de trânsito.
Por causa do pilot e da caixa de grampos
que foram deixados na mesa.
Também escrevo pelo motivo que mantém as minhas pernas cruzadas
e da minha vontade em segredo.
Escrevo por medo.
Escrevo por vaidade.
Escrevo pela necessidade de não passar incólume nesta vida.
Então o arranhar da velha porta que ainda não aconteceu
surgirá para me tirar deste entorpecimento no qual... escrevo.
No intimo do corpo sinto o retrato de um alguém
que foi esquecido ou morreu e diante desta figura
que mostra inclusive algumas formas daquilo que sou...
...escrevo.
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