segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Quer saber... saiba

Quer saber?
Se quer saber saiba, se não quiser
troque de página agora. Enquanto é tempo.

Pois bem... quer saber?!...
Nasci para ser
e sou.
Faço isso muito bem.
Nasci para isso se bem posso dizer.
Se é que quer saber.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Relatividade


Eu acho que vi um filme que tinha um
cara chamado Einstein
e uma vez acho que vi em uma pixação
o seguinte: e = mc².

Além do mais,
eu desconheço todo o resto.

Sou assim: uma possibilidade 
que insiste em existir.
Nem eterna e nem ilimitada
mas infinita enquanto ser vivente.

Um dia eu vi um filme
ou talvez eu tenha sonhado
que um cara se chamava Einstein
e que jovens escrevessem fórmulas em muros.

Sei que estou aqui e permanecerei
enquanto puder.
Segurando essa lata de tinta colorida
para pintar na paisagem
quadros diversos de momentos
os quais eu vivi e vivo.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quase

Quase me esqueci
de lembrar que vez ou outra
a memória é muito curta
e que por mais que os olhos
fotografem
há retratos talhados na alma.

Quase me lembrei
que as vezes é melhor esquecer
para viver e que viver
esquecendo e lembrando
é contínuo.

Quase em uma recordação
eu pintei com as cores apagadas
as palavras mal esculpidas.
Quase fiz isso.
Quase mesmo.

Quase que me esqueço que lembrar
faz parte e que as vezes,
só as vezes,
é preciso esquecer
para dar espaço para novas memórias...

e assim, quase que me esqueço de
escrever com as cores mais
comuns que eu ainda sou
uma pessoa que se lembra quem é;
quase sempre.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quero apenas a letra morta dos obituários de jornal

Quero apenas a letra morta
dos obituários de jornal.

Sem vela, sem cheiro.
Apenas o fim
encarcerado em nome, data e motivo.

Quero apenas a crua letra
dos obituários de jornal.
Onde talvez eu me encontre
ou te encontre em uma
dessas sinas vagas
que são descritas ali.

Quero apenas saber que há ainda uma forma
de registrar na história
quando o terminal momento chega.

E mais... quero avisar a família,
quero ser a letra viva
que coroa
com flores,
mensagens de otimismo
e esperança.

Quero ser a palavra de bonança
escrita ou subentendida nas letras
do jornal.

Quero ser a voz fria e calada
nos obituários
que transcreve apenas o óbvio
e ainda assim nos surpreende.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Eu que sempre desconfiei, confiei

Ela estava sempre perto
eu que aprendi a desconfiar; confiei.
Assim me acostumei com seu riso
e até passei a reconhecer aquele cheiro
de perfume tão comum nas flores
que teimam em nascer nas pedras
onde a água rude dos portos
chega pesada.

Ela era assim:
menina navegante, de passagem
pelos meus dias.
Mas, mesmo assim, eu me acostumei.
Passei a reconhecer no meu
olhar aquele olhar
e ver nela coisas tão facilmente
restritas em mim e coisas tão fascinantes dela.

Logo, tornou-se algo elementar que
completava em muitos os meus pensamentos
e me inebriava com seus agitos aconchegantes.

E
um dia ela
foi.

Estava comigo no atravessar
do cotidiano e me contou que ia embora.
Na manhã seguinte ela não voltou
e eu esperei
e esperei
e esperei.

Desejei que ela voltasse,
viesse me ver,
quisesse estar comigo.
Mas, ela não veio.

Decidi esquecê-la e busquei na paisagem
desconhecida motivo.
Eu que havia aprendido a desconfiar...
Eu que sabia... não eu não sabia.
Juro que eu não sabia que ela iria embaralhar os meus dias
e enevoar os meus pensamentos.

Confesso que por mais que eu diga que não quero mais querer
me encontro aqui, assim, escrevendo
um motivo para não dizer
que estou muito feliz por
ela estar aqui.

Do alto de uma folha de papel

Dia desses enquanto caminhava na terra encharcada pelas chuvas de janeiro pude ver um gigante quase tocando as nuvens e ao seu lado havia um anão que gritava do alto de uma folha de papel* verbos indecifráveis.

Moral da história: as vezes os que sobem pouco se acham mais no alto do que os que realmente estão perto do céu.

*Licença para "do alto de uma folha de papel" para Yane