domingo, 4 de setembro de 2011

A rezadeira mágica se foi.

O céu está azul
e não tenho cores nos olhos.
Este dia nubla meus pensamentos.

Quero apenas existir neste momento
sem planos para o minuto seguinte
só a agenda inevitável das horas de domingo.
Da semana quero apenas o feriado
ou a folga
e talvez encontrar no final da tarde 
a loucura de deitar fotos na memória.

Apenas isso: apenso sorrisos
e anexo declarações
esperando no tempo essa multidão
que reboca.

Quero apenas o pestanejar das "cem" horas
e ouvir conversas sem sentido.
Olhar o relógio e ter no ouvido
o ponteiro que contou o tempo em que ela rezava para afastar
o mau dos meus caminhos
e entre fumaças e frases desconexas
entoava mantras que até hoje desconheço o  significado.

Adeus!...

Existência marcada
na minha história e eu que fui só mais uma
criança abençoada em sua trajetória; sentirei saudades
de todos os momentos que não vivenciamos.
Na memória há a fumaça, vacilações
e arrepios da casa velha.
Todo aquele cheiro de mofo, o ruido do assoalho,
toda aquela mobília abandonada,
toda a poeira e a luz que entrava pelo vidro no alto da porta.
Enquanto a magia desenhava tua silhueta no espelho.

Dia desses a gente se vê não mais entre os panos que cobriram as cadeiras e nem entre cortinas que escondiam o lugar. A gente se encontra por aí entre uma porta e outra; dessas que ligam os mundos e fazem da eternidade um lugar só.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Pintando

Com o verde dos seus olhos
aquarelo este céu cinza
e quem sabe sobre um
pouco de tinta
para eu esverdear
os teimosos galhos secos
e meus mares revoltos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

I e II da utilidade

I

Controle mensal não datado;
canoa furada;
planta de plástico;
caneta sem tinta.

Amor corrompido;
sinal fechado;
gato morto;
nariz entupido;
carro quebrado;
pasto sem boi;
remoer o que já se foi.

II

O porta-lápis está lotado
de lapiseiras sem grafite,
adiante a tesoura cega
está pousada por sobre
o bilhete apagado
e todas essas coisas
povoam a mesa
onde não trabalho.

sábado, 20 de agosto de 2011

Receita de Perigo (de Mayconl)

Poucas pessoas se vestem de estrelas
pois, estrelas ofuscam exceto quem tem luz própria.
Ele anda vestido de nebulosas e nos seus universos interiores
flutuam planetas coloridos e o sol de sua essência ilumina
para além do horizonte conhecido.

Portanto, hoje não contarei minha história, hoje a atenção é para o Mayconl
Esta poesia transeunte por mistérios do invisível pousou em meus dias,
algumas horas, noutros minutos em um tempo de ponteiros próprios e se fez marcante
se faz Maycante.

Ele me segredou uma receita; a Receita de Perigo.
Confessou-me no rochedo de seus sentimentos entre os musgos
do amor falecido e nas serpentes da desilusão que havia feito uma jornada
para terras litorâneas em um lugar tão longínquo que nem ouso proferir o nome.

Anotou em um pergaminho virtual essas passagens...

Para acontecer a receita são necessárias:
1 dose de aventura;
Paixão (de qualquer tipo) para rechear;
1 alta dose de inconsequência;
1 gota de carência emocional e
1 pitadinha de incentivo.

Misture bem e beba em qualquer lugar.

A história não tem um fim em si mesma e a poesia está meio que escondida por um lacre
em garrafa de vinho antigo.

Na verdade esta receita não tem medida certa. Acho que cada um realiza esta alquimia com sua maneira e outros ingredientes agregam sabores mais amargos e momentos mais amenos.
Entretanto, caro poeta, o que importa é que para coração discriminado e Eros míope há remédio;

  persistência.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Adeus Pê!

Ele fazia um miado estranho
quando eu decidi buscá-lo na chuva e na lama.
O barranco não colaborava com minhas botas
e minha falta de jeito o afugentou para longe da toca.

Ele por medo parou nos braços de minha mãe.
Pequeno e malhado.
Tão frágil.
Pê; dei-lhe um nome.

Logo, descobrimos que o Pê
era um batalhador.
Sua curta vida foi de luta,
lutou para ficar vivo o tempo todo
todo o tempo, insistente
incansável, corajoso sempre.

Pê faleceu hoje vítima de uma doença
que adquiriu sobrevivendo ao ataque de um cachorro.

Adeus Pê!

Vou sentir saudades de seu miado esquisito,
de você beber água na torneira da rua,
de você virar o pescoço para olhar para a gente
e sempre lembrarei do guerreiro que você foi.

Descanse no céu dos gatos... onde sardinhas brotam em árvores
e onde a água corrente das torneiras sempre estarão
ao seu dispor e se der, querido Pê, veja se em algum desses céus você vê o Pai
dê-lhe um miado cumprido e uma mordida para não perder o costume.

Já sinto saudades.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Viver a madrugada

A caneta tinge a lauda pálida
pautas e pautas tremem provocantes.

Soluços e soluções por entre as senhas,
senhoras e esperas.

No íntimo o deserto se angustia,
há preguiça imprudente nos minutos!

de - mo - ra
          de - mo - ra
                    de - mo - ra

A eternidade 'no turno' nesta fresta,
as entranhas blasfemam ao acaso
no amarelo seco das figuras belíssimas.
Distraído
o dia amanhece por entre as veias.

Tímida e exausta a rua aponta para o infinito
enquanto isso
alguém adormece na distância
deste momento.

domingo, 31 de julho de 2011

O olho roxo

Atrás dos óculos escuros.
O olho roxo de um infortúnio.
Olha por trás das lentes
e, agora,
zomba de sua atual cor.


O olho que sabe que tem cor,
sabe que a cor passará
e enquanto não passa a maquiagem
disfarça.


Ele que irá passear
e ter novos olhares sobre
conhecidas paisagens.
Se deslumbrará, escolherá
e definirá o desejado
aos objetivos de sua visão.


Este olho desatento que
não olhou o suficiente.
Que não viu
ou não enxergou
e que se deixou magoar
e que se deixou machucar.


Agora está bem atento
e curioso, por trás das lentes,
investigando ao redor.


Este olho tão puxado
que pisca, colorido,
em meio a um sorriso nublado.

sábado, 30 de julho de 2011

Hoje é sábado e amanhã é domingo.

Amanhecer ganhando suco de acerola.
Rir e perceber que tem muita coisa boa acontecendo.
Sentir o sol tocando a pele.
O cheiro do mar.
A textura da areia.

Aquele jeito que só a praia tem.

Ver um casal de idosos caminhando de mãos dadas.
Crianças brincando nas calçadas e
ouvir um cachorrinho barulhento de olhar atento
que parece entender tudo...
...eis uma bela manhã de sábado.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Esperar

Passam duas irmãs, gêmeas.
Uma pessoa reclama.
Depois sorri e vai.

O sobe e desce frenético.
Um alarme toca ao fundo e mais vozes 
chegam da rua.

O tapete exala o aroma dos pisoteados.
Na parede a textura imita piso
e o chão imita paredes e azulejos.

Alguém chega tão parecido com
quem é aguardado, mas não é de fato.
Confunde-se nos olhos outro retrato; nada.

O tempo parou; outro alarme e freada
e diversos sons que tocam entre o abrir
e o aguardar.

Alguém que foi, voltou.
Assim é o vai e vem.
Embaixo diminui a bateria e as teclas
descem saboreando o amargo
de xaropes e descongestionantes.

O céu descortina a noite
de lado surgem estrelas
e as luzes vermelhas das freadas.

Uma pessoa senta
tem os braços cruzados, as pernas cruzadas.
Tem a face fechada
e o rosto de testa franzida não colabora.

Quem é esta pessoa que também aguarda?
O tempo vai passando.
Uma bela mulher passa e deseja boa noite.
A moça ergue-se impaciente, 
parece uma boneca, levanta-se e sai.

O portão mais uma vez se abre
não é ninguém.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Lágrimas e lamúrias

Eu a vi chorando.
Sempre a vi chorando.
Desde que eu me entendo por gente ela está chorando.

Era por ser gorda; por ser sozinha; pela casa alugada e pela água fria.
Era pela morte do gato; pelo vizinho silencioso; por falta de uma amiga.
Era pelo mosquito de dia; pela cama vazia; pela panela e pelo preço da carne.
Era por ele voltar tarde; por ele não voltar e por ele ficar.

Ela estava sempre chorando, chorando pelos cantos, chorando pelas beiras
chorando a choradeira.

Cresci vendo ela reclamando e chorando.
Tanta lágrima, tanto rosto vermelho, a face escondida entre as mãos
e um gemer baixinho.

Não sei quanto tempo isso pode durar, mas não me lembro de ouvir dela
as palavras: que dia lindo! Amanheci bem! Sou feliz!

Ontem ela chorava, novamente, hoje também.
São tantas lágrimas e tanta incompletude que não sei dizer de onde vem.

Gostaria um dia de vê-la sorrir, gargalhar, se esbaldar em uma farra boba e que ela fosse feliz.


Enquanto isso não acontece nasce uma nova ruga em meu rosto por causa da lágrima que não
d
       e
             s
                  c
                       e.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Olhando

Olhinhos lindos,
olhinhos tristes
meus olhos percorrem por ti teclas
e nomes.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Desabafo

Eu morei em uma casa, desde os meus catorze anos.
Morei com meus pais boa parte de minha vida.
Mas, em um determinado momento não consegui
mais viver sem me meter naquela vida rotineira
que tanto me incomodava.
Então um dia eu deixei a casa, já tinha idade avançada
acho que tinha uns 27 anos.
Não deixei meus pais, mas passei a vê-los menos.

Com o tempo eles criaram para si mesmos mais problemas
e um dia venderam a casa, pagaram dívidas e sem a casa
o meu pai morreu em dias e a minha mãe veio ficar comigo.

Hoje, sou eu quem vai ficar com ela.
Não por necessidade, confesso que poderia dobrar o
trabalho, me esforçar, insistir.
Mas, quero ficar com ela.
Olho para esta foto do céu que via da casa de meus pais
e não sinto saudades da casa em si,
mas sinto saudades de poder visitá-los sempre que tinha vontade.
Já não posso mais visitar meu pai nem a casa e nem mais verei o céu
por este ângulo.

O tempo muda e o tempo de ser feliz é o agora.

sábado, 21 de maio de 2011

Recado para as baratas

Disseram que o mundo acaba hoje, às 18h.
Não sei qual fuso horário o mundo vai escolher para acabar, portanto deixo um recado para as baratas, que deverão tomar conta deste planeta.

Donas Baratas,
favor ler este recado.
Sempre tive medo de vocês. Isso deve ter sido pelo fato de eu saber que vocês são muito mais resistentes do que eu. Vocês se mantiveram pequenas para se adequar ao mundo, sempre populosas escolheram não crescer muito e viver juntas no submundo.
Nós ao contrário decidimos andar de pé, inventar a democracia, a escrita e as tecnologias. Nos tornamos tão grandes que talvez tenhamos povoado demais o nosso planeta.
Sei que no fundo se for pensar em demografia vocês são mais populosas do que nós. Mas, a questão é o que fazemos do nosso mundo.
Se o mundo tiver acabado e vocês estiverem lendo isto eu confesso para vocês que fui uma humana feliz. Corri de vocês todas as vezes que as vi. Matei algumas de vocês com venenos poderosos, blasfemei vossa existência.
Dessa forma, sei que ficarão felizes se eu não existir mais e eu me pergunto o que eu temeria se vocês não existissem; talvez tivesse medo de elefantes.
Bem, Donas Baratas, imagino que devam estar agitadas para dominar este planeta caso o mundo acabe hoje às 18h. Portanto, deixarei-as em suas labutas.
Sucesso na nova empreitada e, a propósito, se o mundo não acabar amanhã continuarei combatendo-as na distância do aerosol.

Adeus, Um Blog Humano.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ritual do acordamento

          Sempre que amanheço
          olho para os lados
          e vejo a solidão
          do quarto bagunçado.
          Ouço os gritos
          de mamíferos e vertebrados
          reclamando da rotina.

          Ergo-me em meio
          a folhas isentas,
          bolas de papel,
          meias e
          uma xícara vazia.

          Caminho com os calcanhares
          rangendo,
          as pernas trocadas,
          tocando paredes e
          me acostumando com a escuridão
          da sala.

          Tateio este infinito
          entre a hora do despertar
          e a janela sendo aberta.

Então olho para a rua,
          a luz do céu azul
          me deseja um bom dia,
          sinto a vida que vem dos paralelepípedos.
          Sorrio
          sem planos para este dia;

          estou acordada.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Escrevo

Escrevo enquanto espero.
Escrevo por que sinto palavras nas veias,
vejo cores nas unhas da mão
que está pousada por sobre a folha.

Escrevo pois ouço os adoentados,
seus sintomas e
uma risada solta que vem da calçada.

Escrevo pois respiro
esse cheiro de chuva
e este assobio da freada de ônibus... que passou.
Escrevo por causo do apito agudo
do guarda de trânsito.
Por causa do pilot e da caixa de grampos
que foram deixados na mesa.

Também escrevo pelo motivo que mantém as minhas pernas cruzadas
e da minha vontade em segredo.
Escrevo por medo.
Escrevo por vaidade.
Escrevo pela necessidade de não passar incólume nesta vida.

Então o arranhar da velha porta que ainda não aconteceu
surgirá para me tirar deste entorpecimento no qual... escrevo.

No intimo do corpo sinto o retrato de um alguém
que foi esquecido ou morreu e diante desta figura
que mostra inclusive algumas formas daquilo que sou...
...escrevo.

domingo, 15 de maio de 2011

Necessários



Os sentidos, pelo menos alguns dos cinco.
Oxigênio e as fragrâncias de flores.
Comida e temperos.
Água.
Família.
Metas rígidas e flexíveis.
Sonhos e sorrisos.

Além de todos estes: amor.


Não necessariamente nesta ordem.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Emoção

Tenho uma lágrima na garganta
e um suspirar profundo.

As minhas mãos teclam a tecla
sem sentido
e meus olhos se desfazem em lembranças.

Lembro de quando a barca chega;
de drops de halls.
Recordo de caminhar para o meu canto predileto
e ficar fitando a paisagem.
Na memória, uma torta experimentada
e tantas outras coisas.
Perfume, botões de camisa, planos de viagens.

Assim, engulo na saliva esse momento
tão eterno e tão efêmero.

Por trás dos óculos embassados
ficam os olhos de quem emocionado
neste momento aperta o enter e se vai.

Conhecer pessoas II

Nem sempre haverá caminho.
Ou um lugar seguro para ficar.
Nem todas as varandas serão o suficiente
e nem todas obras históricas em um museu
poderão ter o que contar.

Nem sempre haverá retorno.
Alguns caminhos se dividem.

Mas, sempre vai ter sido válido
afinal a vida é efêmera e toda as existências são significativas.

Agora é descansar para a labuta diária de amanhã
na rotina das caixas e da poeira e continuar sempre.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Uma carta

Oi,

eu escrevo na esperança de que você me leia e assim me lendo, me veja.
Eu sou apenas isto aí: essas palavras curtas ou essa pouca expressão.
Não me ensinaram a jogar pião e não sei fazer rodeios.
Odiei desde pequena brincar de roda ou correr em círculos.
Mas, desenhava nas margens do caderno longas espirais.

Sou só isso e talvez por isso eu seja prática, talvez seja por outros motivos, mas talvez... só talvez... hoje.

Digo hoje por ser hoje o dia. Aquele dia que consagraria um mês. Hoje, por seu descanso. Hoje, por ser o dia que eu chorei os meses de aniversário da morte de meu pai, a confirmação da mudança da minha mãe e quem sabe também a minha mudança. Hoje, por ser terça.

Somente por hoje, nem digo por ontem ou pelo final de semana. Hoje, apenas pelo hoje.

Sei respeitar, me ensinaram a respeitar e aprendi a me respeitar. Sou só isso.

Não há nada de prático nesta carta, ela não é uma receita de como me entender ou de como me enxergar; apesar do desejo de ser vista.
Escrevo esta carta na esperança de que você me leia, pois nenhuma outra forma de comunicação é mais necessária do que esta; agora.

No final tudo é apenas um emaranhado de palavras e muito do que foi lido nem foi dito e muito menos pensado. Não tinha a intenção de ser clara e nem de ser objetiva, pois sou péssima com as curtas palavras, curtinhas; palavrinhas.

Assim, me despeço desta carta e destas palavras sentidas.

Caminhando

As vezes as nossas palavras são como passos que caminham na direção do horizonte ou que se afastam.
Nem sempre o que as palavras dizem são os passos ao rumo certo e nem sempre o que é entendido seria a jornada correta para se seguir.

Talvez as palavras sejam como sapatos ao invés dos passos e calcem o pé que melhor lhe convier. Talvez em alguns momentos sejam sapatos apertados, que incomodem e em outros momentos sejam confortáveis.

Talvez as palavras sejam como pés ao invés de sapatos e caminhem por aí sem atenção. Em alguns momentos com calos pisando espinhos e em outros como massagens com pedicure depois de um dia de corrida.

Talvez as palavras não sejam nem uma coisa e nem outra. Mas, com certeza elas aproximam ou afastam.
Não há nada de errado com o texto escrito, muitas vezes, mas há muitas palavras na mente de quem lê.
Nem tudo o que será interpretado foi de fato dito, mas muito do que realmente for interpretado será o válido para os olhos do leitor.

Talvez... são tantos talvez.

Entretanto, as minhas palavras, palavrinhas, são sempre cruelmente acusadas. Pobres palavrinhas que só queriam dizer aquilo para o que foram feitas, mas caíram na malha fina dos estereótipos e dos dramas.

Eu, até entendo que as palavras que me chegam são frutos de toda uma história, mas não creio que tenham a mesma consideração com as minhas palavrinhas, tão curtas que deveriam ser práticas. Mas, que ao contrário sempre me levam para mais e mais explicações.

Assim, sigo caminhando e cada vez falo menos e meus pés, passos e calçados talvez um dia me afastem da mudez completa ou me aproximem de vez do silêncio.

domingo, 8 de maio de 2011

Fazendo releitura

Resolvi me reler.
Me reinventar para poder prosseguir.

Desta forma, vou reeditar alguns posts e excluir outros.

Na sala

Tenho na parede um monitor de tv que poderia ser uma janela para o mundo, mas não adaptei antenas.
Tenho também imagens de mulheres e seus ofícios, mas nunca queimaria um sutiã.
Tenho fiações expostas e laterais sem acabamento.
Nesta parede não há rodapé e o tom areia parece voar com o vento que toca de leve este cômodo.

A luz apagada desta sala faz com que as outras paredes, brancas, também façam parte deste momento com suas imagens e prateleiras, interruptores e caixas de energia, encanamentos e registros; tudo exposto nada escondido.

A unica janela na parede é uma passagem de ar, que tem grades e tela. Não há portas impedindo o caminho e é possível ouvir o som que ecoa no corredor e traz notícias da rua.

Esta parede tão areia e este teto com uma luz tão débil são os artificiais companheiros daqueles que habitam o silêncio das tardes de domingo. 

Em vão olho para o chão azul e tenho recordações do céu, o tão distante 
céu 
das paisagens de antigamente.

terça-feira, 3 de maio de 2011

O dia de amanhã

Vivo a indagação.
A indagação do dia vivido.
A indagação da possibilidade do dia seguinte.

Vivo a indignação.
A indignação do dia vivido.
A indignação de desconhecer o dia seguinte.

Vivo a vida.
A vida em cada dia vivido.
Cada segundo, cada hora radiante deste ou do próximo dia.

Me convida e me inquieta esse dia tão matuto que se aproxima.
Entre caixas e colas, etiquetas e poeira.
Esse dia empoeirado sairá das prateleiras
e irá acontecer em minha vida.

Esse dia que está para acontecer, que será arquivado em minha memória,
mas que só será arquivo morto após minha própria morte.
Ah! O dia de amanhã! Esse fabuloso horizonte que irá ser despertado pela aurora.
Não tenho planos profundos e nem tracei objetivos plausíveis.

Viverei-o, apenas. Assim como vivi o dia de hoje com indagações e indignações.

Conhecer pessoas I

Conhecer pessoas é se aventurar em universo desconhecido...

Mas, se o universo habitável é desconhecido eu imagino os milhares de universos em movimento confabulando com o invisível.

Conhecer pessoas é:
Tatear o escuro.
Abrir mão da solidão e da clausura de si mesmo.
Permitir.
Arriscar.
Enlouquecer.

Conhecer pessoas é:
Divagar sobre o horizonte.
Desdenhar da penumbra.
Balançar um cálice vazio por entre os dedos.

Conhecer pessoas é:
Olhar o desconhecido e seguir.
Nem sempre a caminhada é tranquila.
Nem sempre há sorte ou ouro na estrada.
Nem sempre há destino ou a chance de chegar.
Nem sempre haverá um lugar para ir.
Nem sempre haverá um outro lado no caminho.
Nem sempre... nem sempre.

Conhecer pessoas é se aventurar pelo talvez no universo desconhecido.

Perguntas e mais perguntas

Como responder se nem sei qual é a pergunta? 
Como me defender se nem reconheço como dignos os que me acusam? 
Como existir se a existência se tornou um lugar comum?

Quando os pensamentos seguem nesse ritmo o melhor é ir para Pasárgada deixando tocar no tórax o tango argentino. 

Tentando me auto descrever

I


Não sou a poetisa eleita e nem a garota de Ipanema, mas faço parte
dessa efemeridade e lido bem com isso.

Amo ler, escrever, descobrir lugares e conhecer coisas novas. Sou gentil, de natureza tranquila e prezo muito a sinceridade e a honestidade. Me desagradam preconceitos, falsidades e desconsideração.

II

Longe de ser a criatura sã e perfeita descrita nos dicionários como "pessoa"; eu sou uma pessoa, em movimento.

Tenho momentos de incredulidade e solidão.
Uma natureza sincera e crítica.
Sou contra preconceitos e mediocridade.

Em suma eu sou uma pessoa intolerante, mas de agradável sorriso.

III

Impaciente. Apenas.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Quando quieta estou.

Deixamos de ser surdos quando ouvimos o silêncio e as vezes o barulho é tanto que até os deficientes auditivos ouvem o tom dos surdos.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Frases de banheiro

Uma colega de trabalho me pediu para bolar uma frase para banheiro. Pois, o uso da descarga não estava a contento.
Eis o que sugeri:

Seja limpinho(a), use a descarga!


Não queremos saber se você cagou.
Dê a descarga, pô!


Eu sei que foi você quem fez.
Mas, pode dar descarga,
não precisa se apegar,
não chore,
amanhã você faz outro.


O botão da descarga está funcionando.
Experimente usá-lo.


Deixe a merda seguir o curso dela.
Dê descarga e colabore.


Eu sei que o tempo todo fazemos merda,
mas não dar descarga depois disso é sacanagem.


Você tem titica na cabeça?
Cagou: dê descarga.


Mas vale uma descarga bem dada
do que duas merdas boiando.

E a minha colega toda educada, falando em xixi e seja higienico. Tem que dar descarga, puxa a cordinha.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Quer saber... saiba

Quer saber?
Se quer saber saiba, se não quiser
troque de página agora. Enquanto é tempo.

Pois bem... quer saber?!...
Nasci para ser
e sou.
Faço isso muito bem.
Nasci para isso se bem posso dizer.
Se é que quer saber.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Relatividade


Eu acho que vi um filme que tinha um
cara chamado Einstein
e uma vez acho que vi em uma pixação
o seguinte: e = mc².

Além do mais,
eu desconheço todo o resto.

Sou assim: uma possibilidade 
que insiste em existir.
Nem eterna e nem ilimitada
mas infinita enquanto ser vivente.

Um dia eu vi um filme
ou talvez eu tenha sonhado
que um cara se chamava Einstein
e que jovens escrevessem fórmulas em muros.

Sei que estou aqui e permanecerei
enquanto puder.
Segurando essa lata de tinta colorida
para pintar na paisagem
quadros diversos de momentos
os quais eu vivi e vivo.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quase

Quase me esqueci
de lembrar que vez ou outra
a memória é muito curta
e que por mais que os olhos
fotografem
há retratos talhados na alma.

Quase me lembrei
que as vezes é melhor esquecer
para viver e que viver
esquecendo e lembrando
é contínuo.

Quase em uma recordação
eu pintei com as cores apagadas
as palavras mal esculpidas.
Quase fiz isso.
Quase mesmo.

Quase que me esqueço que lembrar
faz parte e que as vezes,
só as vezes,
é preciso esquecer
para dar espaço para novas memórias...

e assim, quase que me esqueço de
escrever com as cores mais
comuns que eu ainda sou
uma pessoa que se lembra quem é;
quase sempre.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quero apenas a letra morta dos obituários de jornal

Quero apenas a letra morta
dos obituários de jornal.

Sem vela, sem cheiro.
Apenas o fim
encarcerado em nome, data e motivo.

Quero apenas a crua letra
dos obituários de jornal.
Onde talvez eu me encontre
ou te encontre em uma
dessas sinas vagas
que são descritas ali.

Quero apenas saber que há ainda uma forma
de registrar na história
quando o terminal momento chega.

E mais... quero avisar a família,
quero ser a letra viva
que coroa
com flores,
mensagens de otimismo
e esperança.

Quero ser a palavra de bonança
escrita ou subentendida nas letras
do jornal.

Quero ser a voz fria e calada
nos obituários
que transcreve apenas o óbvio
e ainda assim nos surpreende.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Eu que sempre desconfiei, confiei

Ela estava sempre perto
eu que aprendi a desconfiar; confiei.
Assim me acostumei com seu riso
e até passei a reconhecer aquele cheiro
de perfume tão comum nas flores
que teimam em nascer nas pedras
onde a água rude dos portos
chega pesada.

Ela era assim:
menina navegante, de passagem
pelos meus dias.
Mas, mesmo assim, eu me acostumei.
Passei a reconhecer no meu
olhar aquele olhar
e ver nela coisas tão facilmente
restritas em mim e coisas tão fascinantes dela.

Logo, tornou-se algo elementar que
completava em muitos os meus pensamentos
e me inebriava com seus agitos aconchegantes.

E
um dia ela
foi.

Estava comigo no atravessar
do cotidiano e me contou que ia embora.
Na manhã seguinte ela não voltou
e eu esperei
e esperei
e esperei.

Desejei que ela voltasse,
viesse me ver,
quisesse estar comigo.
Mas, ela não veio.

Decidi esquecê-la e busquei na paisagem
desconhecida motivo.
Eu que havia aprendido a desconfiar...
Eu que sabia... não eu não sabia.
Juro que eu não sabia que ela iria embaralhar os meus dias
e enevoar os meus pensamentos.

Confesso que por mais que eu diga que não quero mais querer
me encontro aqui, assim, escrevendo
um motivo para não dizer
que estou muito feliz por
ela estar aqui.

Do alto de uma folha de papel

Dia desses enquanto caminhava na terra encharcada pelas chuvas de janeiro pude ver um gigante quase tocando as nuvens e ao seu lado havia um anão que gritava do alto de uma folha de papel* verbos indecifráveis.

Moral da história: as vezes os que sobem pouco se acham mais no alto do que os que realmente estão perto do céu.

*Licença para "do alto de uma folha de papel" para Yane

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Gostar ou não gostar

O que faz com que continuemos a gostar de alguém?

Pode ser o fato de gostarmos de nós mesmos e estarmos bem com o momento em que vivemos.
Pode ser o fato de no outro encontrarmos a reciprocidade que desejamos e em nós mesmos o equilíbrio que necessitamos independente deste outro.
Pode ser o encontro de um pouco de curiosidade com lantejoulas de dia.
Pode ser por partilhar momentos, pontos de vistas, experiências...
Pode até ser aquela coisa nonsense que surpreende.

Se for muito sério, muito cotidiano, muito superficial, muito muito... esquece

Gostar de alguém independe da quantidade de qualquer coisa; apenas acontece.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Desistir

Desistir - é reconhecer que o algo desejado não é desejoso o suficiente; descobrir pouca vontade em si mesmo; matar o desejo e mergulhar na angústia do não alcançado; desistir é mingau frio ou comida sem sal.

Mas, desistir é necessário em alguns casos até mesmo para termos objetivos possíveis.

De fato desistir é um verbo que acontece. Aconteceu?!...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Missa de 7º dia do Pai

Hoje, 14 de janeiro, às 18h celebraremos uma missa em nome de meu pai, na Igreja de São Lourenço no Ponto Cem Réis, Fonseca, Niterói.

Desde já grata aos amigos por toda a atenção.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Animação no trabalho

Fazem poucos dias que a lápide fria encerrou com uma carreira de acertos e tropeços paternos e ainda assim os meus convivas decidiram me animar.
Disseram que estou muito silenciosa. Talvez. Autopiedade a parte acontece que os seres cheios de ânimo realizaram uma pequena festividade surpresa para mim no dia do meu aniversário.
Achei válido por a foto aqui, pois foi um ato espontâneo e fico agradecida.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Pai faleceu

Hoje, dia 07 de janeiro o pai faleceu vítima de complicações respiratórias.