quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Quando se deita sente vontade de morrer

Todo dia quando se deita sente vontade de morrer.

Não é por decepção da vida
ou por uma desilusão qualquer

porém sente isso toda noite
antes era esporádico
mas, agora é pontual.

Olha para o cinza do céu
respira o ar abafado da cidade e fica cansada de tudo.

O barulho das teclas que digita,
o som do ventilador na sala de espera, as vozes
todas essas vozes que dizem
assuntos não lhe interessam.

Assim estão sendo os dias
todos esses dias em que
quando se deita sente vontade de morrer.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Em memória de Bruno

Bubu era um desses amigos que são raros:

dono de uma sabedoria incontestável, ele divida seus saberes em milhares de sorrisos que distribuía.

Não me lembro de tê-lo visto triste, mas me lembro de tê-lo visto sério.

Quando o telefone tocou a gargalhada dele ecoou no meu ouvido e eu já sabia antes da notícia que ele tinha partido.

Deixou dois filhos, esposa grávida do terceiro; faleceu aos 31 anos.

De coração triste digo que sei que nada é para sempre. Qualquer dia desses Bubu, grande amigo, a gente se encontra para rir um pouco, você que me ensinou o sentido da palavra renúncia