sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Onde está você?

Eu te procuro pelos telefones,
são nomes e palavras ditas.
Endereços e buscas;

mensagens que não foram entregues;
explicações que não chegaram a existir.
Faltou eu dizer que te amo.
Faltou eu dizer que me importava,
mas e agora...

O que eu faço se não te encontro?
O que eu faço se não te acho,
se nem sei onde te procurar direito?

Em vão saio pela cidade,
mas a cidade parece tão grande,
entro em casas e barracos,
passo em bares

e até me perco nessas esquinas
dos boatos que não me levam a você.
Não estou só.
Ao meu lado caminha a angústia
e no meu peito caminha a necessidade
de te ver

não só isso,
mas para poder sentir o som
da buzina do seu riso
ou ver seus olhos marejados de sonho.
Você que se esqueceu de crescer...
você que sumiu
sem dizer adeus.

Onde está você?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Pode ser outra vez outra coisa

Estava aqui duvidando das coisas
Será que as coisas
vão dar em alguma coisa?

Que coisa é essa que me dá?
Ah tal coisa...
nem tão coisa assim
me deixa assim coisa
que só coisa
e nenhuma coisa explica essa
coisa que há e não há em mim.

Em vão busco explicações
mas o momento é essa imensidão
de silêncio.

Eu que sou tão estranho ser desse mundo onde nasci

Eu vim pra esse mundo convicto
de que não deveria me apegar.

Sabia da efemeridade do tempo
e da realidade distorcida
fui alertado dos perigos do ambiente
e das curvas e das esquinas.

Entretanto, aqui eu descobri
o dito não desvelado.
Me reconheço despreparado
para desconfiar das escadas
suspeitar dos fios
de telefones e de cabelos.

Fico assim dependurado
entre a chave e a lâmpada queimada
e poderia até me esconder por
trás de um beijo
que deixa marca de batom.

Porém eu sei que fui avisado.
Esse alarme ainda apita em mim.

Eu só ignorei
que em algum momento
as minhas defesas cairiam
e que eu veria por terra
todas as minhas meticulosidades
arruinadas apenas por uma
dessas previsiveis
coisas da existência.

Mas, mais uma ...
e outra e tantas...

E o que eu faço
se a semente da realidade
tão bem desenhada
me surpreende
com a mesma roupagem?
Eu sei da hostilidade
e temeridade do momento
e sei que os sentidos são falhos
e que a paisagem trai.

O que eu faço se ainda
assim me questiono?

Eu que sou tão estranho ser
desse mundo onde nasci.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mãos ao alto!

Mãos ao alto!
Isto é um assalto!
Quero tudo que é seu
Tudo que’cê tem é meu
E se o dinheiro não bastar
Sua vida vou levar.

Mãos ao alto!
Isto é um assalto!
Passa o relógio pra cá
O carro não dá pra levar
Quero a carteira
A aliança
O relógio
Os cartões...
E também as senhas!
Passa o tênis
E a camiseta
Essa caneta também,
Passa logo
Vai passando
Passa rápido!
To com pressa,
To vazando!
Não me segue,
Não vacila,
Não bobeia.

Mãos ao alto!
Isso é um assalto.

Foi assim
Que a malandragem falou!
Foi assim
Que a malandragem marcou
E assim
O dia repleto de fim
Ficou marcado de vez
Com as mãos pro alto
Implorando
Implorando
Implorando
Pela viiiida.