quinta-feira, 8 de abril de 2010

Niterói na lama

Segunda-feira, final da tarde eu saio do médico com aquela sensação de desperdício de tempo, mais um cisto e nada de possibilidades de cirurgia.

Volto para o trabalho, a chuva começa a cair; é uma tempestade.

Chego em casa e tomo um comprimido para dormir.

Acordo com o som da poça d'água. São 7h de terça-feira e tem água na minha sala, a internet anuncia: a cidade está um cáos.

Corro para o trabalho e o porteiro grita que o Prefeito mandou não sair de casa. Mas, eu não posso ficar parada, tenho responsabilidades. Viro a esquina com óculos embassado com os respingos da chuva e tem uma árvore caída atravessada na descida, mais a frente tem umas pessoas tirando lama e lama. Fora isso não há mais ninguém na rua. Tudo está fechado. Não há carros e nem há ônibus. Chego no prédio do trabalho e só há o vigia.

Subo e começo a ligar para os números das ligações não atendidas que estão no meu celular: minha chefe, minha mãe, amigas de outro estado e até gente que eu não conheço e todos perguntam sobre a chuva.

Começo a trocar as ligações e de todo o Estado chegam os pedidos e as declarações de angústia. Cubango, Fonseca, São Francisco; Niterói está parado.

Volto para casa, não há como passar o dia em um prédio público fantasma.

De noite ouço o violão do meu vizinho tocar e sei que a quarta-feira será de trabalho. Quarta-feira, há mortos e mortos por todos os cantos, nas páginas de jornais, revista, estampado na televisão e no rosto das pessoas.

Estamos em estado de emergência. Estamos na lama!