segunda-feira, 15 de março de 2010

Passei mas Perdi

Passei no vestibular, mas perdi o prazo de registro de interesse que foi na outra semana.

Ou seja, não entrei.

terça-feira, 9 de março de 2010

Carimbo

Essa secura na boca,
essa dor no peito.
Um incômodo,
esse algo não resolvido.

O amargo que vem da garganta
é como se uma grande
massa branca tomasse conta
da memória e das cordas vocais.

Algo se esconde por traz dos órgãos
esse lugar vazio dentro da gente.

Em vão ligam os ventiladores
mas nenhuma folha voa
os pesos de papel pesam
nas minhas costas
estou estagnado
entre o gaveteiro e a escrivaninha.

Uma ordem me dissimula
e de fato me incomodo.
Guardo minha dignidade
e escrevo o que me ditaram.

Essa secura na boca
pois a saliva dissolveu no ar
o sonho da paisagem.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O que você faria?

O que você faria?

Se lhe fosse dado duas opções e estas fossem resultar nas seguintes situações:

se você exercer sob a ótica do positivismo poderá sucumbir e deflagar a destruição de todo um ordenamento;

se você não exercer sob a ótica do positivismo e alegar a subjetividade poderá responder negativamente e solidariamente.

A diferença entre ambos é o fato da primeira opção gerar problemas imediatos e em escala macro e a segunda opção gerar problemas a longo prazo, mas que só irá prejudicar a você mesmo.

Você salvaria alguém que desconhece somente para garantir a pseudo paz no ordenamento vigente, ou deixaria esse alguém ser condenado e sucumbiria de imediato junto com diversos dos seus e quem sabe poderia surgir uma nova ordem?

O que você faria?

Desdobramentos do vestibular

Eu ando no aguardo de que alguém desista da vaga na UERJ. Meu nome é o próximo para uma vaga em filosofia e espero, realmente que alguém desista. Pois de 60 vagas eu sou o número 61.

No dia do vestibular enquanto eu esperava eu escrevi isso e resolvi dividir agora.

"Na minha cabeça toca 'My way' do Frank Sinatra. Ouço o zumbido da sala em espera.
Na maioria jovens. Há um negro entre nós e essa afirmação é apenas para gerar reflexão de minha parte.
Uma pessoa passa mal lá fora e é conduzida para a saída.
Perto daqui, onde estou sentada, um rapaz bebe um energético. Mais a frente um outro bebe de uma garrafinha azul e acredito que eles desejem que aqueles líquidos os mantenham atentos e acordados o suficiente para a conclusão daquela prova.
Pela primeira vez eu previ algumas necessidades e adquiri água e biscoito na entrada da universidade. Porém, nada é perfeito; esqueci o lápis e a borracha. Um dia eu estarei apta a me lembrar de tudo ou de me organizar com antecedência.
Enquanto escrevo a hora se aproxima.
Cada um luta por seu sonho particular.
A caneta torna-se a extensão da mente e irá tatuar o conhecimento acumulado na lauda de celulose.
Fome, sono, ansiedade e cansaço prometem interferir, mas não terão muitas chances.
Estou em uma sala de sonhadores e faço parte desse grupo."

Lembro-me do dia da primeira prova e de eu rir das perguntas de biologia e de cuspir letras "C" em tudo aquilo que não sabia. Recordo, também, da segunda prova e quando a caneta falhou e eu troquei a azul pela preta na prova de redação.

No dia do resultado, lembro-me de ter aberto a página da internet com restrições e receio. Mas, a nota era o suficiente, o que não está sendo o suficiente é o número de vagas e eu aguardo com medo de que não consiga entrar, que não seja bem sucedida nessa demanda. Pois, nem sempre somos bem sucedidos naquilo que mais desejamos. Tenho uma pasta com o assunto 'Universidade', mas já estou afastada dela há algum tempo, tenho a esperança de retornar e, sinceramente, eu gostaria muito que fosse em filosofia, em uma universidade pública, mas se não for agora, será depois, pois eu insistirei. Essa é a minha natureza.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Lágrima morna

Não há nada mais deprimente
do que alguém
quem se ausente
para sentir pena de si mesmo.

E assim meio insistente
quer convencer a toda gente
que não quer ajuda
que não sofre ou sente medo.

Essa pessoa egoísta
vai vivendo sua vida
sem dividir ou compartilhar.

Vai fugindo a toda hora
escondendo que chora
e tentando mascarar a dor.

Mas, o tempo vai passando
e a lágrima que vai rolando
desse salgada desse sólida.

Vai rasgando toda a face
e ferindo amiúde
causando até o desenlace.

Uma lágrima morna
que desce a pele morta
de quem viveu sem viver.