terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O que há para fazer

Há tanto para fazer
Lista de tarefas
Arrumações acumuladas
Livros não lidos
Emails para serem digitados

Verdades para serem formuladas
Teses para serem imaginadas.

São tantos sonhos e o dia me parece tão igual
tão igual ao dia de ontem
tão igual ao dia que chegará
esses dias que são gêmeos
repletos de semelhanças
cheios de coincidências

Dias que se auto clonam
e perpetuam-se no tempo.

Dia desses pode ser que
eu desencalendarize-me
e quem sabe assim ao
desfolhar as "folhinhas" de mim
eu encontre uma nova forma
de escrever o que há
para, realmente, fazer.

Os mortos não lêem orkut

Ontem a noite eu recebi uma ligação falando da morte de uma antiga colega de trabalho.
Ela com certeza foi uma das poucas pessoas que eu admirei naquela época. Inclusive dividimos mesmo quarto em viagem de trabalho.
Tentei buscá-la em minhas fotos e não encontrei.
Ela não estava na ida para a Argentina ou para as Cataratas, nem nos bares a noite.
Ela estava em um relacionamento sério e não queria fazer o que fosse contra o que ela julgava ético e certo. Ainda tenho um sapinho "Frog" que ela me deu depois da ida ao Paraguai.

Mas, a recordação que eu terei dela para sempre será a força de sua personalidade e comprometimento com a justiça nos seus ideais e para a minha total sorte eu cheguei a dizer isso para ela.

Esse post é apenas para dizer que não adianta grandes demonstrações de afetividade quando a pessoa já não se encontra mais encarnada. Dessa forma, se devemos prestar alguma reverência aos que admiramos ou amamos devemos fazê-lo em vida. Afinal, os mortos não lêem orkut.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Preciso de óculos

"Se as garotas do Leblon não olham mais para mim"...

Os óculos estão pelo preço da cara.

Se eu vender as córneas
eles me serão desnecessários.

Se negociar meu cristalino ou íris
não terei motivo para adquiri-lo.

Enquanto não tenho óculos
finjo que vejo
e que enxergo.

"Quando estou sem óculos eu não vejo ninguém não..."

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sabe o que eu quero fazer?

Quero tirar um dia só para mim.

Arrancá-lo do calendário e pousá-lo
sobre a cartografia dos meus devaneios.

Somente fazer aquilo que me der vontade:
ler poesias e escrever efemeridades;
observar o azul do céu
e deitar o corpo sobre a terra seca.

Apenas tempo para mim.

Escolher uma peça teatral
ao acaso e ouvir a toada
das aves, no final de uma tarde
quente, em uma praça
de uma cidade desconhecida.

Tempo de esquecer o telefone
e as correspondências indigestas.
Tempo de ignorar as catástrofes
dos jornais e mergulhar

apenas mergulhar
no intenso das ondas
do amar e voltar
com os bolsos cheios de areia.

Eu quero tirar um tempo para mim
antes que tirem de mim
o tempo que me resta.

Insônia

Esse silêncio que tarda.
Essa arquibancada
interior
cheia de torcedores
tumultuando
e sacudindo em olheiras
o fatídico descanso
que não chega.

Essa lanterna ligada.
Esse papel em branco,
exibido,
cheio de pautas
disciplinadas
e paralelas que confundem
os olhos que almejam o sono.

Assim os minutos
disfarçam-se
em horas hostis.
Um após o outro indagam
ao teto
qual relógio inexato
os exprimem.

Os olhos ardem
insetos brilham
no feiche de luz;
vagaluminam-se.
A caneta reticente
na lauda
grafa
essa necessidade
humana de ter com os deuses.

Apago a luz e deixo para o leitor
essa poesia incompleta.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Pelo preço da passagem

A passagem está cara
mas, não nos atrasemos.
Não se tem conforto
mas, não nos fatiguemos.

A lotada está passando
mas, não aceita o Rio Card
e
essa hora de ir
se desfaz na poeira levantada
da estrada.

O preço da passagem
são as horas do dia.
em desperdício
no ponto em ponto
esperando a condução.

Enquanto o sinal é dado
e a parada se aproxima
boa parte da existência
passageira
está passando.

Fujamos a pé dessa sina desgraçada
que arruina nossos planos
de uma vida bem vivida.

A poesia é coletiva

Li hoje no blog de um amigo:

Humano

depois me recordei do meu escrito um pouco antes:

Novamente Humana

A frase sobre reclamações pertence a Lilly Thompson.

Quarta feira de cinzas

Não é cinzenta, é azul
e nem é quarta feira
pois tem cara de domingo.

Silenciosa e solitária
atravessa o dia entre o lixo
e o cansaço.

Vai costurando as horas
em um compasso arrasado e
de cunho interior.

Essa quarta que finge
ser meio de semana
e que talvez nem seja semana
talvez nem seja dia.

Azulada e anti social ela
ergue-se e segue até
que o infinito das horas termine.