quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Quando se deita sente vontade de morrer

Todo dia quando se deita sente vontade de morrer.

Não é por decepção da vida
ou por uma desilusão qualquer

porém sente isso toda noite
antes era esporádico
mas, agora é pontual.

Olha para o cinza do céu
respira o ar abafado da cidade e fica cansada de tudo.

O barulho das teclas que digita,
o som do ventilador na sala de espera, as vozes
todas essas vozes que dizem
assuntos não lhe interessam.

Assim estão sendo os dias
todos esses dias em que
quando se deita sente vontade de morrer.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Em memória de Bruno

Bubu era um desses amigos que são raros:

dono de uma sabedoria incontestável, ele divida seus saberes em milhares de sorrisos que distribuía.

Não me lembro de tê-lo visto triste, mas me lembro de tê-lo visto sério.

Quando o telefone tocou a gargalhada dele ecoou no meu ouvido e eu já sabia antes da notícia que ele tinha partido.

Deixou dois filhos, esposa grávida do terceiro; faleceu aos 31 anos.

De coração triste digo que sei que nada é para sempre. Qualquer dia desses Bubu, grande amigo, a gente se encontra para rir um pouco, você que me ensinou o sentido da palavra renúncia

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pensamentos sanitários

Escrevo no papel higiênico pensamentos
de banheiro:

"Sofro com o teu desprezo,
mas sei que de certa forma
precisa de mim.

Vou te indicar um segredo
talvez dois
e só.
Fim."

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Desnecessário

As vezes os que humilham já foram humilhados
mas, humilhar é sempre tão cruel e tão rude.


É fácil enaltecer o que está longe e menosprezar o que se tem ao lado.
Mas, será que é difícil pedir desculpas?

[Tenho esse texto há algum tempo...
e o encontrei ainda agora.]

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Onde está você?

Eu te procuro pelos telefones,
são nomes e palavras ditas.
Endereços e buscas;

mensagens que não foram entregues;
explicações que não chegaram a existir.
Faltou eu dizer que te amo.
Faltou eu dizer que me importava,
mas e agora...

O que eu faço se não te encontro?
O que eu faço se não te acho,
se nem sei onde te procurar direito?

Em vão saio pela cidade,
mas a cidade parece tão grande,
entro em casas e barracos,
passo em bares

e até me perco nessas esquinas
dos boatos que não me levam a você.
Não estou só.
Ao meu lado caminha a angústia
e no meu peito caminha a necessidade
de te ver

não só isso,
mas para poder sentir o som
da buzina do seu riso
ou ver seus olhos marejados de sonho.
Você que se esqueceu de crescer...
você que sumiu
sem dizer adeus.

Onde está você?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Pode ser outra vez outra coisa

Estava aqui duvidando das coisas
Será que as coisas
vão dar em alguma coisa?

Que coisa é essa que me dá?
Ah tal coisa...
nem tão coisa assim
me deixa assim coisa
que só coisa
e nenhuma coisa explica essa
coisa que há e não há em mim.

Em vão busco explicações
mas o momento é essa imensidão
de silêncio.

Eu que sou tão estranho ser desse mundo onde nasci

Eu vim pra esse mundo convicto
de que não deveria me apegar.

Sabia da efemeridade do tempo
e da realidade distorcida
fui alertado dos perigos do ambiente
e das curvas e das esquinas.

Entretanto, aqui eu descobri
o dito não desvelado.
Me reconheço despreparado
para desconfiar das escadas
suspeitar dos fios
de telefones e de cabelos.

Fico assim dependurado
entre a chave e a lâmpada queimada
e poderia até me esconder por
trás de um beijo
que deixa marca de batom.

Porém eu sei que fui avisado.
Esse alarme ainda apita em mim.

Eu só ignorei
que em algum momento
as minhas defesas cairiam
e que eu veria por terra
todas as minhas meticulosidades
arruinadas apenas por uma
dessas previsiveis
coisas da existência.

Mas, mais uma ...
e outra e tantas...

E o que eu faço
se a semente da realidade
tão bem desenhada
me surpreende
com a mesma roupagem?
Eu sei da hostilidade
e temeridade do momento
e sei que os sentidos são falhos
e que a paisagem trai.

O que eu faço se ainda
assim me questiono?

Eu que sou tão estranho ser
desse mundo onde nasci.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mãos ao alto!

Mãos ao alto!
Isto é um assalto!
Quero tudo que é seu
Tudo que’cê tem é meu
E se o dinheiro não bastar
Sua vida vou levar.

Mãos ao alto!
Isto é um assalto!
Passa o relógio pra cá
O carro não dá pra levar
Quero a carteira
A aliança
O relógio
Os cartões...
E também as senhas!
Passa o tênis
E a camiseta
Essa caneta também,
Passa logo
Vai passando
Passa rápido!
To com pressa,
To vazando!
Não me segue,
Não vacila,
Não bobeia.

Mãos ao alto!
Isso é um assalto.

Foi assim
Que a malandragem falou!
Foi assim
Que a malandragem marcou
E assim
O dia repleto de fim
Ficou marcado de vez
Com as mãos pro alto
Implorando
Implorando
Implorando
Pela viiiida.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Deu Dolly no cartão

A minha fisionomia séria
esconde uma revolta de nome
desconhecido. Pois, clonaram
meu cartão de crédito.

Eu não faço compras pra não exceder o limite
e alguém compra com os meus parcos recursos.

Deu Dolly na operadora de cartão, só pode.

domingo, 29 de agosto de 2010

Dizendo nada

Uma pessoa
passa em uma rua
escura.

Nem de noite e nem de dia
nesses momentos
do sei lá.

A pessoa estava ali
apenas de passagem
e passou.

Como passam
esses momentos do seu
dia gastos com bobagens.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

samba que fala não encanta

O samba falou que serei processada.
O samba falou que eu sou de nada.
Mas, ele não sabe que:
sou cria do morro,
flor do deserto,
estrada sem fim.

Esse samba enganado
que tome cuidado
pra não se engasgar.

Sou espinha de peixe,
espeto de ferro,
ouriço do mar.

O samba falou que serei processada.
O samba falou nas várias toadas
e tocando nos coros
o samba dos louros
quer me assustar.

Mas eu sou do coreto
meu samba é do gueto
e eu quero é sambar.

Esse samba tão velho
de refrão conhecido
falou pra dançar.

Eu no miúdo
me faço no surdo
não vou esquentar.


Esse samba enganado
que tome cuidado 
pra não se engasgar

sou espinha de peixe
espeto de ferro
ouriço do mar.


Afinal o samba falou que serei processada.
Se o samba é quem sabe
só sei que sei nada.

O samba falou...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pessoas e coisas

I

Há coisas que passam;
Há coisas.
Há?!...

Há pessoas que passam.
Há pessoas, que coisa!
Há pessoas que são como coisas.
Há pessoas com coisas.
Há pessoas... há coisas.

Hei coisinha, que coisa?!...

II

Que pessoa que há?
Que coisa que há em cada pessoa?
Que coisa é essa que não passa?
Que pessoa é essa?

O que há, pessoa?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Momento de ir

Eu sempre me perguntei o que me levava a agir e ficar nos lugares ou com as pessoas.
A resposta sempre era um misto de auto-comiseração e um sentimento de dívida.
Dívida para com o outro como se pelo fato de respirar o mesmo ar que o outro eu devesse algo; de alguma forma. Não sei de fato quando isso começou, mas isso sempre me trouxe uma melancolia abstrata que eu não buscava investigar.
De fato eu acredito que eu tenho minhas ações pautadas naquilo em que acredito e nem tudo em que eu acredito é de fato o melhor ou a opção mais acertada, mas tento não me fechar em uma crença completa e sim em idéias e sonhos que possam ser flexibilizados para uma realidade diferente.

Sou apenas uma pessoa e esse desabafo é só para dizer que hoje eu acordei sorrindo e eu sabia o por que.

Quando a pergunta sobre o motivo de permanecer em determinado lugar é feita constantemente, talvez seja por ser chegado o momento de ir.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

No desafio

Muito se especula
quando o desafio é completamente desconhecido.
A unica informação disponível é da sua existência.

Daí fica a dúvida do que está por vir.
Apesar da noção de chegada breve.

Mas, depois de passado um momento
o desafio apresenta sua estampa.
Entretanto ele não se mostra por completo.

Eis o desafio. Algo que não se revela por completo
e que a gente leva um tempo
para verificar se vai de fato
descobrir.

São noites sem dormir;
Enjôo;
Cansaço;
Dor de cabeça.
As costas doem
e parece que as costelas se comprimem.

Durante o primeiro enfrentamento
o choque do novo e imediato.
Todas as precauções e providências
não respondem aquilo que parecia
ter sido previsto.
Surpresa e exaltação.

Durante o segundo enfrentamento
sempre há desdobramentos e
surge o dia seguinte.

Mais desafios.
O dia termina e o desafio continua.
A vida é assim, uma sequencia de imprevistos
e cada dia uma ou mais batalhas são enfrentadas
no final, quando a existência for
se reciclar no ambiente, apenas
as rugas do rosto saberão de fato
o quanto que cada um viveu.

Entretanto, as rugas
são discretas e não nos contam
nada.

Assim quando olhamos para
o outro sempre temos
aquela impressão equivocada
de que a vida dele é mais tranqüila
do que a nossa, só porque as cicatrizes
do outro falam menos do que as nossas.

Assim são os desafios, a ponta
de um novelo retalhado.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Diante do desafio

Retroceder é opção.
Mas, insistir é o caminho.

Viver, mesmo quando se olha para
o adversário e ele baixa os olhos
com sinal de desonestidade nas ações.

Você olha para os lados e não sabe
se confia nos seus companheiros ou
se suas ações são as mais acertadas.

A incerteza. Esse lugar comum
e tão desagradável.

Veste-se a roupa de coragem,
mas as vezes parece que a roupa encolheu
ou que agora, pequeninos,
tropeçamos solitários nas pontas soltas.

Assim, com capas e escudos seguimos ou não.

Independente disso o desafio lhe olha
radiante, sabendo de seus medos.

Diante do desafio toda uma sorte de possibilidades
e o coração bate forte e a vida segue em frente.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Niterói na lama

Segunda-feira, final da tarde eu saio do médico com aquela sensação de desperdício de tempo, mais um cisto e nada de possibilidades de cirurgia.

Volto para o trabalho, a chuva começa a cair; é uma tempestade.

Chego em casa e tomo um comprimido para dormir.

Acordo com o som da poça d'água. São 7h de terça-feira e tem água na minha sala, a internet anuncia: a cidade está um cáos.

Corro para o trabalho e o porteiro grita que o Prefeito mandou não sair de casa. Mas, eu não posso ficar parada, tenho responsabilidades. Viro a esquina com óculos embassado com os respingos da chuva e tem uma árvore caída atravessada na descida, mais a frente tem umas pessoas tirando lama e lama. Fora isso não há mais ninguém na rua. Tudo está fechado. Não há carros e nem há ônibus. Chego no prédio do trabalho e só há o vigia.

Subo e começo a ligar para os números das ligações não atendidas que estão no meu celular: minha chefe, minha mãe, amigas de outro estado e até gente que eu não conheço e todos perguntam sobre a chuva.

Começo a trocar as ligações e de todo o Estado chegam os pedidos e as declarações de angústia. Cubango, Fonseca, São Francisco; Niterói está parado.

Volto para casa, não há como passar o dia em um prédio público fantasma.

De noite ouço o violão do meu vizinho tocar e sei que a quarta-feira será de trabalho. Quarta-feira, há mortos e mortos por todos os cantos, nas páginas de jornais, revista, estampado na televisão e no rosto das pessoas.

Estamos em estado de emergência. Estamos na lama!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Passei mas Perdi

Passei no vestibular, mas perdi o prazo de registro de interesse que foi na outra semana.

Ou seja, não entrei.

terça-feira, 9 de março de 2010

Carimbo

Essa secura na boca,
essa dor no peito.
Um incômodo,
esse algo não resolvido.

O amargo que vem da garganta
é como se uma grande
massa branca tomasse conta
da memória e das cordas vocais.

Algo se esconde por traz dos órgãos
esse lugar vazio dentro da gente.

Em vão ligam os ventiladores
mas nenhuma folha voa
os pesos de papel pesam
nas minhas costas
estou estagnado
entre o gaveteiro e a escrivaninha.

Uma ordem me dissimula
e de fato me incomodo.
Guardo minha dignidade
e escrevo o que me ditaram.

Essa secura na boca
pois a saliva dissolveu no ar
o sonho da paisagem.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O que você faria?

O que você faria?

Se lhe fosse dado duas opções e estas fossem resultar nas seguintes situações:

se você exercer sob a ótica do positivismo poderá sucumbir e deflagar a destruição de todo um ordenamento;

se você não exercer sob a ótica do positivismo e alegar a subjetividade poderá responder negativamente e solidariamente.

A diferença entre ambos é o fato da primeira opção gerar problemas imediatos e em escala macro e a segunda opção gerar problemas a longo prazo, mas que só irá prejudicar a você mesmo.

Você salvaria alguém que desconhece somente para garantir a pseudo paz no ordenamento vigente, ou deixaria esse alguém ser condenado e sucumbiria de imediato junto com diversos dos seus e quem sabe poderia surgir uma nova ordem?

O que você faria?

Desdobramentos do vestibular

Eu ando no aguardo de que alguém desista da vaga na UERJ. Meu nome é o próximo para uma vaga em filosofia e espero, realmente que alguém desista. Pois de 60 vagas eu sou o número 61.

No dia do vestibular enquanto eu esperava eu escrevi isso e resolvi dividir agora.

"Na minha cabeça toca 'My way' do Frank Sinatra. Ouço o zumbido da sala em espera.
Na maioria jovens. Há um negro entre nós e essa afirmação é apenas para gerar reflexão de minha parte.
Uma pessoa passa mal lá fora e é conduzida para a saída.
Perto daqui, onde estou sentada, um rapaz bebe um energético. Mais a frente um outro bebe de uma garrafinha azul e acredito que eles desejem que aqueles líquidos os mantenham atentos e acordados o suficiente para a conclusão daquela prova.
Pela primeira vez eu previ algumas necessidades e adquiri água e biscoito na entrada da universidade. Porém, nada é perfeito; esqueci o lápis e a borracha. Um dia eu estarei apta a me lembrar de tudo ou de me organizar com antecedência.
Enquanto escrevo a hora se aproxima.
Cada um luta por seu sonho particular.
A caneta torna-se a extensão da mente e irá tatuar o conhecimento acumulado na lauda de celulose.
Fome, sono, ansiedade e cansaço prometem interferir, mas não terão muitas chances.
Estou em uma sala de sonhadores e faço parte desse grupo."

Lembro-me do dia da primeira prova e de eu rir das perguntas de biologia e de cuspir letras "C" em tudo aquilo que não sabia. Recordo, também, da segunda prova e quando a caneta falhou e eu troquei a azul pela preta na prova de redação.

No dia do resultado, lembro-me de ter aberto a página da internet com restrições e receio. Mas, a nota era o suficiente, o que não está sendo o suficiente é o número de vagas e eu aguardo com medo de que não consiga entrar, que não seja bem sucedida nessa demanda. Pois, nem sempre somos bem sucedidos naquilo que mais desejamos. Tenho uma pasta com o assunto 'Universidade', mas já estou afastada dela há algum tempo, tenho a esperança de retornar e, sinceramente, eu gostaria muito que fosse em filosofia, em uma universidade pública, mas se não for agora, será depois, pois eu insistirei. Essa é a minha natureza.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Lágrima morna

Não há nada mais deprimente
do que alguém
quem se ausente
para sentir pena de si mesmo.

E assim meio insistente
quer convencer a toda gente
que não quer ajuda
que não sofre ou sente medo.

Essa pessoa egoísta
vai vivendo sua vida
sem dividir ou compartilhar.

Vai fugindo a toda hora
escondendo que chora
e tentando mascarar a dor.

Mas, o tempo vai passando
e a lágrima que vai rolando
desse salgada desse sólida.

Vai rasgando toda a face
e ferindo amiúde
causando até o desenlace.

Uma lágrima morna
que desce a pele morta
de quem viveu sem viver.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O que há para fazer

Há tanto para fazer
Lista de tarefas
Arrumações acumuladas
Livros não lidos
Emails para serem digitados

Verdades para serem formuladas
Teses para serem imaginadas.

São tantos sonhos e o dia me parece tão igual
tão igual ao dia de ontem
tão igual ao dia que chegará
esses dias que são gêmeos
repletos de semelhanças
cheios de coincidências

Dias que se auto clonam
e perpetuam-se no tempo.

Dia desses pode ser que
eu desencalendarize-me
e quem sabe assim ao
desfolhar as "folhinhas" de mim
eu encontre uma nova forma
de escrever o que há
para, realmente, fazer.

Os mortos não lêem orkut

Ontem a noite eu recebi uma ligação falando da morte de uma antiga colega de trabalho.
Ela com certeza foi uma das poucas pessoas que eu admirei naquela época. Inclusive dividimos mesmo quarto em viagem de trabalho.
Tentei buscá-la em minhas fotos e não encontrei.
Ela não estava na ida para a Argentina ou para as Cataratas, nem nos bares a noite.
Ela estava em um relacionamento sério e não queria fazer o que fosse contra o que ela julgava ético e certo. Ainda tenho um sapinho "Frog" que ela me deu depois da ida ao Paraguai.

Mas, a recordação que eu terei dela para sempre será a força de sua personalidade e comprometimento com a justiça nos seus ideais e para a minha total sorte eu cheguei a dizer isso para ela.

Esse post é apenas para dizer que não adianta grandes demonstrações de afetividade quando a pessoa já não se encontra mais encarnada. Dessa forma, se devemos prestar alguma reverência aos que admiramos ou amamos devemos fazê-lo em vida. Afinal, os mortos não lêem orkut.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Preciso de óculos

"Se as garotas do Leblon não olham mais para mim"...

Os óculos estão pelo preço da cara.

Se eu vender as córneas
eles me serão desnecessários.

Se negociar meu cristalino ou íris
não terei motivo para adquiri-lo.

Enquanto não tenho óculos
finjo que vejo
e que enxergo.

"Quando estou sem óculos eu não vejo ninguém não..."

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sabe o que eu quero fazer?

Quero tirar um dia só para mim.

Arrancá-lo do calendário e pousá-lo
sobre a cartografia dos meus devaneios.

Somente fazer aquilo que me der vontade:
ler poesias e escrever efemeridades;
observar o azul do céu
e deitar o corpo sobre a terra seca.

Apenas tempo para mim.

Escolher uma peça teatral
ao acaso e ouvir a toada
das aves, no final de uma tarde
quente, em uma praça
de uma cidade desconhecida.

Tempo de esquecer o telefone
e as correspondências indigestas.
Tempo de ignorar as catástrofes
dos jornais e mergulhar

apenas mergulhar
no intenso das ondas
do amar e voltar
com os bolsos cheios de areia.

Eu quero tirar um tempo para mim
antes que tirem de mim
o tempo que me resta.

Insônia

Esse silêncio que tarda.
Essa arquibancada
interior
cheia de torcedores
tumultuando
e sacudindo em olheiras
o fatídico descanso
que não chega.

Essa lanterna ligada.
Esse papel em branco,
exibido,
cheio de pautas
disciplinadas
e paralelas que confundem
os olhos que almejam o sono.

Assim os minutos
disfarçam-se
em horas hostis.
Um após o outro indagam
ao teto
qual relógio inexato
os exprimem.

Os olhos ardem
insetos brilham
no feiche de luz;
vagaluminam-se.
A caneta reticente
na lauda
grafa
essa necessidade
humana de ter com os deuses.

Apago a luz e deixo para o leitor
essa poesia incompleta.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Pelo preço da passagem

A passagem está cara
mas, não nos atrasemos.
Não se tem conforto
mas, não nos fatiguemos.

A lotada está passando
mas, não aceita o Rio Card
e
essa hora de ir
se desfaz na poeira levantada
da estrada.

O preço da passagem
são as horas do dia.
em desperdício
no ponto em ponto
esperando a condução.

Enquanto o sinal é dado
e a parada se aproxima
boa parte da existência
passageira
está passando.

Fujamos a pé dessa sina desgraçada
que arruina nossos planos
de uma vida bem vivida.

A poesia é coletiva

Li hoje no blog de um amigo:

Humano

depois me recordei do meu escrito um pouco antes:

Novamente Humana

A frase sobre reclamações pertence a Lilly Thompson.

Quarta feira de cinzas

Não é cinzenta, é azul
e nem é quarta feira
pois tem cara de domingo.

Silenciosa e solitária
atravessa o dia entre o lixo
e o cansaço.

Vai costurando as horas
em um compasso arrasado e
de cunho interior.

Essa quarta que finge
ser meio de semana
e que talvez nem seja semana
talvez nem seja dia.

Azulada e anti social ela
ergue-se e segue até
que o infinito das horas termine.

sábado, 2 de janeiro de 2010

2010 é o ano do rato...

Rei dos esgotos
sonhador de um mundo caótico,
sobrevivente... eis o raton.

2010 é o ano do rato; morto.

Dia 2 do ano de 2010

Mais um ano.
Hoje fazem aniversário dois amigos meus.
Um dos meus tempos idos de adolescência e outra da época da universidade.

Bons tempos, todos os que são bem vividos.

"Como será o amanhã?" Já dizia a música. Por hora viverei o hoje.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Bem vindo 2010

Dia Primeiro.

Qual será a nossa primeira frase ou primeiro pensamento desse ano?
O que diremos quando o dia raiar e o sol nos obrigar a sair da cama?

Como viveremos a partir de agora?

Todo dia é uma eternidade em si mesmo e esses segundos que estão passando faceiros nos convidam para essa surpreendente jornada. Todas as possibilidades diante de nossa existência. Não há como prever, apenas traçar planos no infinito das horas. Planos feitos de nuvens para uma vida feita de céu.

Que essa aurora do novo ano nos traga toda a esperança que tiver sido, porventura, perdida e que nos abrace, pois assim como esse ano é novo nós somos eternas crianças de nossas próprias vidas.

Viva 2010! Viva em nossos dias!