segunda-feira, 30 de novembro de 2009

domingo, 29 de novembro de 2009

Nó na garganta

Angústia

Tristeza

cinza te quero verde

As vezes sinto que tenho asas

dessas belas asas de borboletas

asas feitas de chumbo que não me servem.

As vezes me sinto meio peixe fora d'água

e então vejo minhas nadadeiras de barro

desfazendo-se no Rio.

As vezes chovem bigornas como nos desenhos

da velha infância

mas não levanto em formato de sanfona

e não há risos.

As vezes me sinto meio falido

e então falho

e falo mais.

Assim, continuo procurando aquelas asas

não de chumbo, mas de outro metal

quem sabe um alcalino terroso da aula de química

ou quem sabe asas de gás em sonhos de ícaro.

Apenas asas, dessas de besourinho ou mariposa

que não me guiem para a luz

mas que me possibilitem ser mais livre.

Asas abertas de uma couraça cansada

de ser um cinza em si mesmo.

Asas de fênix que queimou pela primeira vez.

No chão essa quimera conhecida pretende,

voar.

Faltam forças para pensar

Eu preciso de um porre e um boa dose de solidão acústica para poder progredir com aquilo que já deveria ter dado cabo há séculos.

Essa minha lentidão prosaica tinha que me deteriorar algum dia.

Sem álcool ou cafeína eu sucumbo na mesmice das páginas redigitadas e nada crio só lamento essa efemeridade.

alegria alvar das novelas...

Quando a felicidade parece longe a gente tem que rir do próprio desespero. Pois, isso é o mais perto que chegaremos da alegria plena vendida nas novelas e folhetins.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Pressentimento de mudanças

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Chuva e chuvisco

Estava ele sentado na sala de estar quando decidiu largar o romance norueguês para ligar a televisão. Ligar a TV era um lugar incomum para a sua existência, uma espécie de extravagância ou de ato bizarro.

Entretanto ele fechou o livro sem dobrar as páginas, apenas encostou um marcador simples desses que vendem em papelaria encerrando momentaneamente todo um enredo impresso nas laudas. Depositou o livro em uma mesa e saiu. No outro cômodo encontrava-se a

TV

Lá estava ela, no mesmo lugar que ele havia deixado há tanto tempo. Apesar de ele ser um homem de situação financeira estável e razoável para os padrões aceitáveis ele não possuía em seus aposentos a tão sonhada tela slim de plasma das televisões modernas e nem tinha canais a cabo ou dezenas de polegadas no objeto. Tratava-se apenas de uma catorze polegadas, pretinha, com uma caixa enorme na parte traseira e seu som "mono", nem saídas para vídeo ela tinha e me surpreende poder relatar aos senhores que aquela televisão tinha cores. Sim, apesar de ser muito antiga ela já era capaz de exibir as programações em cores.

Então ele ligou a fiação, apertou o botão de "Liga", um pontinho vermelho emanado por uma pequenina lâmpada apareceu em um cantinho, depois foi manualmente no seletor de canais procurar algum som ou imagem que lhe agradasse. Todavia, a antena em forma de "V" não cooperava na boa captação das imagens e os tidos "fantasmas" dominavam a tela. Entretanto, ele conseguiu reconhecer a voz do Gene Kelly interpretando "I'm singing in the rain" e apesar do embaço da imagem e dos chuviscos barulhentos ele se perdeu por uns instantes em alguma recordação. Terminada a cena ele desligou a TV.

Ele voltou e cruzou a sala. Foi até a varanda e ficou ali pelo resto da tarde ouvindo o som da chuva que fazia barulhinhos no telhado. Lá dentro um livro fechado e uma televisão desligada. Na varanda o sorriso de quem se encontra nas gotas de chuva.

Verde quero verde

Estava eu em dúvida se escolheria mais uma cor para o meu colorido dia.

Mas, faltava verde. Fiquei de ver se tinha verde e vi que verde eu queria.

Verde, quero ver-te.

Falta pouco para o verdejante colorir o meu espaço.

Eu que não amadureço, que ainda estou verdinha. Vida longa a "haste de aipo" e todas as coisas verdejantes da minha floresta de sonhos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Em casca

Esses dias ela estava em casa
sua casca territorial
seu lugar seguro
sua fortaleza imóvel.

Esses dias ela estava lá
habitante de seu próprio mundo
vivenciando seus instantes
e definindo suas peculiares prioridades.

Mas algo coçou-lhe por dentro
e forçou-lhe para fora

e eram meia noite quando ela se aventurou
na chuva para fora da casca.

Pois lá dentro tinha um fator com o
qual ela não poderia conviver ou enfrentar
de imediato
e isso a obrigou a sair.

Não só pelo escapismo convencional
mas, por que
por viver tanto ali dentro
ela percebeu na coçada
que era hora de sair para olhar
de fora para dentro.

E assim, a casca começou a ruir.

sábado, 14 de novembro de 2009

Paixão ou paixonite

Dia desses um amigo veio me contar sobre estar apaixonado por uma pessoa da universidade onde ele estuda.

Ele me contou sobre as expectativas, planos, desejos e intenções. Falou-me da beleza dos olhos do ser adorado e da saudade imensa que sentia nos fins de semana quando não podia desfrutar daquela presença.

Passado uns dias ele se declarou para ela e não houve reciprocidade. Ela já estava envolvida em outro relacionamento. As reações foram as seguintes: ele ficou meio magoado por ela estar namorando e não querer ficar com ele. Assim, ele ficou ali insistindo, se fazendo presente e minando dentro das possibilidades os laços afetivos da relação de namoro dela.

Então com o passar dos dias ela foi ficando triste e ele foi persistindo em seus propósitos, dentro dos planos dele se ela ficasse sem o namorado ela fatalmente ficaria com ele. Assim, ela foi ficando cada vez mais fechada e eles terminaram o namoro.

A expectativa dele é que ela viesse correndo para os braços dele para se consolar, mas não aconteceu. Ela estava triste demais com o rompimento e trancou-se em si mesma. Ele ficou indignado, chamou-a de covarde. Mas, ela não reagiu. Então ele foi procurar o cara que havia auxiliado em demasia nas possibilidades da desistência dela; o namorado. Ao se encontrarem, ela não foi assunto, eles se viram de repente apaixonados, um pelo outro.

No dia seguinte ela embarcou para Juiz de Fora para o feriado. Eles não estão mais juntos. Se apaixonaram por outras pessoas e estão vivendo suas vidas. Ela conseguiu transferência para a federal de Minas e não deve mais retornar.

Eu não entendo muito de sentimentos, mas conceituar o que se sente é muito fácil. Só sei que é difícil refletir sobre o que se sente realmente em condição de imparcialidade. Não consigo opinar. Talvez você consiga!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

De dia falta água de noite falta luz

Quem não se lembra das marchinhas de carnaval? Nesses últimos dias eu posso cantar e contar sobre algumas comecemos pela "Tomara que chova", de Paquito e Romeu Gentil:

"Tomara que chova
três dias sem parar.

A minha grande mágoa
É lá em casa não ter água
Eu preciso me lavar".

Nesse seguimento em homenagem ao Apagão vale a pena relembrar a "Vagalume", de Vitor Simon e Fernando Martins:

"Rio de Janeiro
Cidade que me seduz
De dia falta água
E de noite falta luz

Abro o chuveiro
Não cai um pingo
Desde segunda
Até domingo...

Eu vou pro mato
Ai, pro mato eu vou
Vou buscar um vagalume
Pra dar luz ao meu chatô".

Pois é estou sem água desde sexta feira de noite e agora depois do apagão de ontem a falta de água ficará por mais aproximadamente 72h.

Então é melhor levar no bom humor: Rio cidade que seduz de dia falta água e de noite falta luz. Eita deficiência urbana.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Falta água no meu rio

Tenho apenas duas mãos e toda a louça suja do mundo
Mas estou cheia de cansaço
Minhas forças escorrem e o corpo insiste
apesar desse calor.
Quando a água chegar,o céu continuará azul azulado
Eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto
uma pia cheia que me acorda
Os proprietários não disseram que faltaria água
e que era necessário estocá-la; meu alimento.
Sinto-me ressequida ao ver torrificar as mangueiras
Umidade da mente vos peço que choveis!
Quando a seca passar eu continuarei sozinho
desafiando a pia e o banheiro e
o tanque e a biologia de ralo
que foram encontrados no amanhecer
Esse amanhecer sem água que me é açoite.

(Em brincadeira com o Sentimento do Mundo de Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 7 de novembro de 2009

Por causa de: "A dança do amor"

Olhe bem na lata do lixo

onde brincam contentes as moscas apaixonadas

elas rodopiam por sobre um relacionamento putrefato, palavras amargas de um dia o que foi um sentimento doce.

Brincam alegres ornando com seus corpos verdinhos, cantando o zumzum zum dos falidos, vencidos e amargurados.

O amor lixo, na lata de lixo sendo reaproveitado pelas moscas. Que por se reconhecerem seres simples e de vida efêmera aproveitam o momento como se fosse a única oportunidade de serem felizes.

Posso ouvi-las zumbindo zombando das minhas frustrações do passado. Sento-me no degrau da porta do salão onde apenas dois insetos estão realmente enamorados.

A dança do amor - Elemento Alternativo

Palavras de Mario Quintana

Estou sem palavras na ausência do meu amigo e companheiro de vida. Fraterna presença que está sempre por perto. Mas, não hoje. Hoje, ele não está. Hoje, ele se foi e eu aqui preparo também minha bagagem. Então que Mario Quintana diga aquilo que a minha voz cala.

"Meu bonde passa pelo mercado

O que há de bom mesmo não está à venda,
O que há de bom não custa nada.
Este momento é a flor da eternidade!
Minha alegria aguda até o grito...
Não essa alegria alvar das novelas baratas,
Pois minha alegria inclui também minha tristeza
[- a nossa
Tristeza...
Meu companheiro de viagem, sabes?
Todos os bondes vão para o Infinito!" (p.71)

(QUINTANA, Mario. Preparativos de Viagem - São Paulo: Globo. 2008)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Professor Jorge

Quando se é pequeno muita coisa acontece sem que prestemos a devida atenção ou sem que possamos conceituar o que acontece.

Era uma quinta feira do início do ano letivo e eu conheci o Professor Jorge, professor de educação artística e minha vida nunca mais foi a mesma.

O professor Jorge foi a figura masculina que eu mais admirei entre os meus 10 e 14 anos; foi para mim um pai. Foi graças a ele que eu senti vontade novamente de desenhar, ele possibilitou que eu me respeitasse dentro das minhas limitações. Quando ele via que eu estava para desistir ele me sorria, um sorriso de dentes tão brancos, me dizia palavras de coragem e me mostrava diversas maneiras de inventar minhas próprias e peculiares possibilidades.

Com ele eu entendi sobre as cores; desenhos; sombras e luzes; linhas e gráficos; aprendi a identificar as nuances do degradê. Com ele eu entendi que podíamos misturar as tintas e que com isso criávamos novos tons. Com ele eu entendi que as coisas não são estáticas, mas que se transformam e que nós nos transformamos o tempo todo.

Durante esse tempo de aprendizado com o Professor Jorge eu conheci Monet, Picasso e Van Gogh e chorei com Portinari sem entender o por que chorava e sorri ao som de Bach e cantarolei ao som de Bethoven e me emocionei com filmes e até com borboletas que voavam. Foi depois da educação artística que eu percebi que o mundo não eram as paredes frias que me circundavam, mas toda uma tela a ser colorida com as cores da minha paisagem interior e que eu era uma peça que estava sendo esculpida com os detalhes do tempo e da vivência.

Hoje, estão fazendo, aproximadamente, duas semanas que ele faleceu e estou triste, estou uma aquarela de tinta aguada.

Adeus Professor Jorge. Esse céu azul de hoje foi pintado para você. Você que sempre amou o azul, você que sempre amou o céu.

Janaína - Gosto desse nome

Eu estava na quarta série quando entraram no colégio duas irmãs: Jaqueline e Janaína.

Não me lembro bem da primeira, lembro-me mais de Janaína. A Janaína, sempre sorria. Por tudo, ela sempre sorria. Se errava a resposta ela sorria e se acertava sorria também. Se chamavam a atenção dela ela sorria e se a ignoravam ela sorria também. Nessa época eu já era muito introvertida e tinha medo de tudo. Estava acuada pela escola e tinha muito receio até de sorrir. Mas, a Janaína ria sempre.

Uma vez eu cheguei perto dela e perguntei a ela como ela conseguia ser tão alegre apesar da escola e a Janaína gargalhou e não parou de rir por um longo tempo. Como eu andava com uma baixa auto estima julguei que ela estava zombando de mim e fui me sentar longe dela ainda ouvindo por um bom tempo toda aquela gargalhada que atrapalhava a aula e irritava a professora.

Quando ela conseguiu parar de rir ela se levantou e foi até a carteira onde eu estava sentada. Colocou a mão embaixo do rosto, segurando o queixo e com a outra mão se apoiou. Olhou nos meus olhos e sorriu. Não tinha como resistir era um sorriso sincero.

Então ela me disse: "até o ano passado eu não tinha nem o que comer e hoje estou estudando em um colégio particular, tenho até uniforme, sou feliz!"

Isso nunca mais saiu da minha cabeça.

Os dias se passaram e tempos depois eu percebi que a Jaqueline não ia mais a aula e a Janaína sorria menos e menos, até que ficou séria. Um dia ela estava chorando baixinho em um canto, fui até ela e sorri. Queria causar nela o mesmo que ela me causou no dia em que foi até a minha carteira. Mas, ela só me olhou com aqueles olhos enormes.

Eu fiquei estarrecida não havia sorriso, apenas um olhar cheio de lágrimas. Ela limpou o rosto com a palma da mão, fungou o nariz e me disse com a voz fanhosa: "minha mãe está muito doente, sou triste!"

No dia seguinte a Janaína não voltou para o colégio e nem a Jaqueline e eu nunca mais soube dela e nem me esquecerei jamais daqueles olhos, daquele sorriso e principalmente do dia em que eu vi uma menina tornar-se triste.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tenho que encarar uma responsabilidade

Tenho medo e receio. Não sei o que faço, mas ainda assim: "ao vencedor as batatas"

Ai ai ai Salve Don Quixote, salve Drummond, o que seria o meu dia sem poesia?

Eu não tenho desenhos

Eu não tenho desenhos

Não tenho nem um rabisco,
sem traços,
sem laços,
sem fitas e sem nós.

Eu não tenho desenhos,
nada para ornar,
nada que represente
ou que possa significar

Eu não tenho desenhos,
figuras
ou paisagens.

Tenho um quadro branco
e nenhum desenho.

Um contact, figura ou decalque.

Uma tatuagem de imagem.

Falta-me um desenho

e um lápis me chama baixinho.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Uma Ode aos Ressentidos

Uma Ode aos Ressentidos

Aos Frustrados
Mal resolvidos
Inconformados
Superados

Esquecidos

Uma Ode aos Falecidos
Ex's e ex's"perus-amigos"

Uma Ode a tudo que passou e se foi
assim mesmo:

Uma Ode aos Fingidos

Mas, principalmente Uma Ode aos Ressentidos.

Sem os ressentidos a graça iria ser menor.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Maria Euclides

Maria Euclides, nasceu no interior,
foi a única menina da cidade
cujo pai havia sido
julgado e condenado pelo crime de bigamia

e talvez por isso tenha crescido e
não se tornado uma adepta da monogamia.

O fato é que sua namorada, Judite,
reclamava frequentemente
das atitudes euclidiativas de maria.

Maria as vezes era mais Euclides que Maria
e as vezes nem um e nem outro. As vezes ela era
só ela, nada mais.

Ela com seu jeito particular
sempre deu um jeito de se apropriar
do que havia sido considerado como
mais desprezível nos
comportamentos sociais.

Maria Euclides é a pessoa mais honesta que eu conheço.

Ela com certeza não se adequa nos padrões.
Uma vez ela disse que não ignorava os padrões
mas que não dava-lhes o mesmo valor que dava
aos carrapatos, pois carrapatos tinham razão de ser
e padrões eram outra espécie de parasitas, muito mais nocivos.
Dessa forma, não dava para ignorá-los. Mas,
era necessário evitá-los ou combatê-los.

Podemos dizer que ela reunia aquilo que me falta:
autenticidade.

Dia desses caminhamos lado a lado
ela na outra calçada saltitante e eu
descendo a ladeira.
Ela bebia uma água de coco pelo canudinho e me sorriu

paisagens coloridas.

Assim, eu sempre lembrarei de Maria Euclides
a mulher que não coube nesse conceito e se fez
muito além da minha restrita constrita concepção medíocre.

Ela que antes de ser mulher decidiu ser humana.