quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O céu da tarde de hoje


Talvez chova hoje, talvez não. Mas, as nimbus dão um espetáculo a parte.

Esta é a imagem do céu que eu via da casa de meus pais.
Podia chegar na janela, no quintal ou no terraço e olhar para as montanhas, ver de longe os vizinhos, contemplar a igrejinha lá no alto e viver sem grandes planos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Paredes laranjas

As paredes estão laranjas e minha mãe já dormiu aqui.

As paredes não são xangai, mas garantem o brilho da grande cidade. Cidade entapetada de vermelho e coberta de amigos.

As paredes não são lugar de festa, o lugar de festa é onde cercam essas paredes.

As paredes são Daredevil, são demônios ousados. Talvez por eu não ser santa. Talvez por ter sido uma escolha tão democrática.

Quando me sinto sozinha olho para as paredes e as paredes estão laranjas e eu sei que a mamãe até já dormiu aqui...

Essas paredes meninas, menininhas tão lindas e laranjinhas como frutas frescas no pomar. Hei de colhê-las por toda essa eternidade do contrato ou até o senhorio requisitar ou exigir.

Queridas paredes laranjas dos meus sonhos.

"Mui amigas"

Uma menina cai.

As amigas dançam.

Uma menina caída e as amigas dançantes.

Uma menina desmaiando e as amigas dançando.

Uma menina acudida por estranhos e

as amigas se acabando de dançar.


Escolher as companhias é evitar esse tipo de coisa.

Pessoas que podem tranquilamente dançar em cima do nosso corpo enfermo. Pessoas "Mui amigas".

sábado, 24 de outubro de 2009

Quando as paredes falam

Não andava muito social e
sua vida se resumia em ir para o escritório e voltar
para o conjugado na Vieira Souto.

Todos os dias ônibus e caminhada na calçada até chegar ao edifício,
antigo prédio,
de encanamento de ferro
e paredes ocas.

Ele sempre se sentiu
esquisito e quando passava da portaria
ouvia as paredes falarem.

Toda noite as paredes falavam.
Contavam histórias em um idioma
que ele não entendia.

Mas, elas falavam a noite toda.
Estalavam, rangiam, tilinctavam
perambulantes aos tímpanos.

Paredes tagarelas, pensava ele consigo.
Mas, ele não se sentia social.
Não frequentava as festas do pessoal do trabalho
e nem se dava mais ao trabalho de atender ao telefone
ao passo de que as ligações foram
ficando mais escassas.
Não retribuía os recados nas páginas
de relacionamento
e nem abria a caixa de correios para pegar as contas.
Apenas acordava, banhava-se e ia trabalhar

De tarde voltava e entrava no conjugado.

Deitava-se por volta das 18h e ouvia as pessoas chegarem.
Então as paredes falavam.

Assim um dia ele foi encontrado enforcado no banheiro
e no espelho um recado pendurado:

Por favor, calem as paredes.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A incompletude do amor

A incompletude do amor...

Que vida eu teria se encontrasse minha cara metade?
Ou se eu encontrasse a carreira dos meus sonhos ou os amigos perfeitos?

Como seria chata a vida!!! Eu gosto das diferenças que se aponta nas relações e dessa inconformidade com meu futuro, assim como amo meus amigos e se disser que são chatos eu digo que são adoráveis.

Vida longa aos viadutos incompletos, pois são por causa deles que repensamos nossos caminhos.

Vida longa as estradas fechadas e ruas sem saída, nenhum caminho em verdade é interrompido são apenas novos atalhos para lugares desconhecidos.

Viver a vida e se sentir vivo é nascer a cada instante, eternamente e por isso mesmo ser incompleto, pois a vida se fosse completa, seria morte.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Conversa de travesseiro

Não se trata de decisões que são ou deixam de ser para a nossa idade. Existem determinadas coisas que só passamos a compreender com o tempo. Eu, no geral, só tento demarcar a minha idade. Acredito que pensar e escrever também sirvam para compreender tudo isso.

Pensar e escrever seria uma demarcação de quem sou em voz alta, para que eu pudesse ouvir um pouco de mim por mim mesma. Por outro lado pensar e refletir me leva a questionar o que busco. Ainda não sei ao certo se estou compreendendo o sentido que caminham as coisas na minha existência. Mas, me recuso a me conformar com as coisas.

Sou assim: sou de luta. Aprendi a entender o meu lugar. Por que o meu campo é a filosofia e pensar é uma das poucas coisas que me faz feliz e agir é uma das poucas formas que tenho de me expressar. Talvez seja isso que me resuma.

Não irei pedir para alguém me notar ou me reconhecer na minha individual peculiaridade. Nem esperar por heroicos cavalheiros atravessando oceanos. Dessa forma, não posso pedir nada e consequentemente não quero dar nada. Logo, o jeito é continuar, prosseguir e pensar uma forma ou um jeito de ser feliz sem necessitar afirmar coisas do cotidiano como um beijo ou um abraço. Sabe deixar de fazer do carinho essa função fática da humanidade e tornar ato de voluntária intenção de tocar o outro de se fazer presente.

Pois, considero que nascemos incompletos e talvez a nossa existência só seja completa por essa busca que travamos para encontrarmos o outro. Um outro. Um alguém para quem possamos dedicar algo de nós.

Assim, eu preciso realmente do travesseiro, meu companheiro, nele eu sempre vou poder deitar minhas angustias e sonhar meus sonhos sem ter que dizer nada que meu suspirar não encerre.

Boa noite!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Eu não gosto de beijar

Esses dias eu refleti que não gosto de beijar. Em verdade, eu já desconfiava. Mas, estava tentando mentir para mim mesma de que gostava de beijar, por que todo mundo gosta.

Não se trata de qualquer beijo. Não gosto de beijar na boca. Em geral acho maneiro no início, sei lá por alguns minutos. Depois não. Depois perde a graça e muitas vezes já fiz para não parecer desagradável, mesmo que a sensação me desagradasse.

O fato de isso ter virado um post, é para justificar aos exs e para as possibilidades que eu não gosto de beijar. Acontece, não sou perfeita.

Se eu beijo é simplesmente por que estou com vontade, por que está me dando satisfação, quando beijo é por que quero sentir o outro e quero que o outro me sinta. Dessa forma, se beijo é por que estou realmente ali naquele segundo. Ou seja, se eu beijo estou toda ali naquele carinho.

Fora isso eu estarei sendo hipócrita com as pessoas além de comigo mesma. Não vou beijar para agradar ninguém e até hoje fui respeitada sendo desse jeito.

Pode ser que isso mude, que um dia eu diga que goste de beijar, pode ser que algo realmente me surpreenda. Mas, até esse dia chegar "Eu não gosto de beijar".