sábado, 25 de julho de 2009

Ando pelo mundo II

Anda pelo mundo
Para Helio

És livre, natural:
Cataratas
da retina.

Em vão tento
operar
você de mim.

Ando pelo mundo I

Fotografia em movimento
Para Helio

Enquanto te vejo digitar
Fotografia distante
Passado passeante;
Agora

Relógios
Calendários frívolos.

Teus dedos digitam
O tempo
Teus dedos na retina
Fotografia do momento.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Cada segundo

Cada segundo é único.

Eu ainda não consigo imaginar que exista a possibilidade de voltar
ou avançar
no tempo.

Exatamente por existir em cada segundo essa semente de eternidade.
Logo, assisto esse momento.
Participo.
Instante: angustiante sensação de unicidade efêmera em sua constituição.

Nesse sentido, sem, o agora é um instante infinito.
Vira os ponteiros e batem asas as borboletas.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Estava indo criticar uma pessoa

Estava indo criticar uma pessoa.

No básico da superficialidade humana eu estava pensando a respeito de alguém e julgando baseado na minha própria existência, como se o meu existir fosse o arauto de alguma verdade.

Continuando: estava indo criticar uma pessoa.

Ou seja, estava no cúmulo da minha mediocridade, quando não tenho idéia e nem um fato interessante ou relevante para explanar e a vida do outro parece merecer mais atenção que a minha.

Dessa forma, estava indo criticar uma pessoa. Tinha identificado algo que não me aprazia, determinado comportamento, levantado dados sobre determinada atitude, estabelecido um diálogo comparativo com a própria essência humana e começava a estabelecer uma opinião.

Estava indo criticar uma pessoa. De repente me pareceu tão absurdo e tão necessário que eu decidi, realmente, criticar uma pessoa; eu.

domingo, 12 de julho de 2009

Eu sou uma pessoa

Para muitas coisas eu não tenho talento, paciência com imprudentes é uma dela. Alias eu tenho a teoria de que não sou uma pessoa muito paciente.

Logo, recentemente tenho enfrentado alguns caos dignos de adolescência. Um, uma amiga diz que está comigo e está com um carinha da internet, daí eu fico acordada em casa esperando ela chegar, ela me chega passando mal. Dessa forma, passo essa noite sem dormir e na noite seguinte, ela diz que irá ficar em minha casa e eu passo a noite em claro esperando ela chegar, por que ela conheceu um carinha na night e ela me chega de manhã.

Se eu disser que fiquei zangada ou triste, talvez não desvele a minha reação ao inusitado. Eu fiquei decepcionada.

Não esperava por isso, existem coisas que não se fazem e uma delas é não reconhecer o outro como pessoa e respeitá-lo como pessoa.

sábado, 11 de julho de 2009

Cecília e eu

Diante de uma compulsão consumista super estimada e repentina eu adquiri Cecília em uma livraria, não é a minha primeira Meireles, mas com certeza a mais deliciosamente degustada.

Mas, ontem Cecí ficou comigo no banco de um hospital enquanto eu aguardava uma amiga que estava precisando de ajuda médica e enquanto eu ouvia as palavras vãs da recém formada eu lembrava da poesia e de como as palavras podem ser utilizadas para o bem e para a cura e como podem ser usadas para não dizerem nada.

Ai ai ai só Cecilia e eu naquele banco de hospital aguardando a hora de ir.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Paradigma da fenomenologia dialética (ahmmm!!!)

Na vitrine da livraria um título de obra sugere ao meu complexo de inferioridade introjetada o meu mínimo âmbito quo no mundo.

Ou seja, tinha um título de um livro que já excluía só com a capa: "Paradigma da fenomenologia dialética". Não sei do que se trata, mas me cansei só na capa, imagina vencer a folha de rosto, a ficha catalográfica que inclusive deve estar em latim.

A educação deveria ser para todos, um título pode simplesmente ostentar beleza e profundidade e terminar por ser apenas uma fator de segregação. Me desculpem os autores mas eu não compro nem por decreto algo sobre a fenodialética paradigmal de títulos. Apenas títulos.

Chega de adjetivos "glamurosos". Na vida tão efêmera devíamos é tornar as coisas mais simples.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Diário de um Engarrafamento em particular

Querido diário,

só você me entende e sabe quem sou. Só você não põe dúvidas sobre a minha existência e nem me ignora nas horas mais complexas. Por isso tudo que você representa para mim, venho lhe contar o que tenho pensado.

Amanheci na madrugada sendo xingado, em verdade a névoa matutina já anunciava que a segunda feira iria me fazer mais gordo do que de costume. Eu não gosto de existir por motivos de acidentes ou por danos vitais, eu gosto de existir por causa dessa esdruxulidade cotidiana humana que me criou.

Sim, eu sou o Trânsito, sou uma criatura, criado pelos humanos. Os homens me criaram e não sabem o que fazer comigo. Eu sou o engarrafamento diário. Eu sou as horas perdidas em fumaças dos canos de descarga. Eu existo!!!
Comecei minha rotina ocorrendo no Barreto, no semáforo de 3 minutos que tem até comunidade no orkut, muito popular ele. Eu também estou no orkut e sou bem pop. Sou o Frankstein da humanidade, me criaram e não me querem. O semáforo, amigo meu de longa data e grande colaborador da minha existência por aquelas bandas, teve uma indisposição e não funcionou bem. Logo, eu durei o dia inteiro, causando atrasos de até 4h para as pessoas.

Fui acusado, judiado, criticado, xingado. Mas, fiquei no primeiro lugar de interesse em notícias de rádio. Todos perguntavam ou falavam de mim por sms, estava na notícia da página de notícias e os helicópteros voavam para saber da extensão do meu poder. Na TV as repórteres de cabelos curtos faziam caras e bocas para contar sobre mim, uma velhinha me culpou por ter perdido a novela. O único que passou incólume ao meu poder foi um cão, que caminhou por entre os carros e se foi, sem me dar a mínima.

Sendo assim, depois de manter tantas pessoas paradas por tanto tempo por mim, eu descobri uma coisa eu sou deus. Eu sou o Engarrafamento particular da sociedade, estarei parando as pistas, vias, rodovias, avenidas, ruas e kilômetros depois quebrarei as esquinas até que meu criador me ame mais. Pois, o homem me ama, passam mais tempo comigo e falando de mim do que assistindo TV ou fomentando guerra e isso me faz mais popular que o falecido Rei do pop.

Ah!!! Querido Diário, como é bom poder desabafar contigo todos esses meus pensamentos engarrafados. Mas já são 6h22 e eu tenho que ir trabalhar, na madrugada se não houver nenhuma obra urgente, nós conversaremos mais.

Com todo amor, Engarrafamento Particular

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Em nome da Mulher Invisível


Ontem eu assisti ao filme nacional "A Mulher Invisível" e posso dizer que foi uma experiência maravilhosa. Trata-se de um excelente filme. Aborda de uma forma tranquila as relações modernas e a idealização das pessoas e dos relacionamentos. Uma pérola do cinema nacional, que não precisou copiar moldes americanos ou franceses para ser autentico. Uma produção com pimenta brasileira, com características que vão destacando a obra nacional e inserindo o jeito brasileiro de fazer filme. Nem precisa dizer que Selton Mello é um ator completo e que a sua interpretação é magnífica proporcionando: risadas, lágrimas de emoção e muita reflexão. Afinal, engana-se quem acredita que se trata de apenas mais uma comédia brasileira, o filme fala de um assunto sério com o humor típico dos habitantes da linha de baixo do Equador.

Sinopse: Pedro (Selton Mello) acreditava no casamento, mas foi abandonado pela esposa. Após três meses de depressão e isolamento, ele ouve batidas na sua porta. É a mulher mais linda do mundo pedindo uma xícara de açúcar: Amanda (Luana Piovani), sua vizinha. Pedro se apaixona por aquela mulher perfeita, carinhosa, sensível, inteligente, uma amante ardente que gosta de futebol e não é ciumenta. Seu único defeito era não existir. (fonte: www.interfilmes.com)