domingo, 28 de junho de 2009

Arado parado para nada serve

Inteligência sem propósito, sem objetivo em prol das relações humanas ou da diminuição da desigualdade social é como arado parado em terra fértil. Um arado em terra fértil não serve para nada se não tiver as mãos que o guiem, que tracem o caminho do semear.

Sozinho, um arado parado para nada serve.

O mundo não precisa mudar.
O mundo existe independente de nós.
Nós precisamos mudar.
Nós não existimos sem o mundo.

sábado, 27 de junho de 2009

Mão Inglesa

No Brasil temos a mão inglesa. Trata-se da mão invertida no trânsito. Pois, dessa forma o trânsito caminha como se fosse na Inglaterra e não como se fosse no Brasil.

Ao invés de ficar do lado direito da rua, o carro vai para o lado esquerdo da rua.

Quando isso ocorre parece que estamos na contra-mão. Mas, não estamos. Isso acontece por causa do costume. Mesmo quando a placa autoriza e a lei regulamenta algo que não nos é cotidiano, inicialmente parece que estamos cometendo algum ilícito e arriscando as nossas existências e as de outrem, também.

Engraçado que quando eu olho para a sociedade e reflito sobre as relações e a existência eu penso se de repente não estou na mão inglesa dessa cotidianeidade.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Papo de 7ª Vara

Recentemente fui convidada a comparecer na 7ª Vara trabalhista para audiência de antiga pendência com última empresa trabalhada.

Enquanto o horário marcado ficava nítidamente atrasado eu aguardei na sala de espera.

As salas de espera parecem retratos fragmentados das opiniões pessoais. Se for uma sala de espera de um consultório médico ou clínica hospitalar o assunto dominante será doença. Se for uma sala de espera de uma capela o assunto será morte. Se for de uma maternidade será gravidez e assim, as salas determinam por suas paredes os assuntos da pauta. Logo, a sala de espera da 7ª Vara tinha de ter um assunto em específico e o tema era justiça.

Enquanto o relógio lentamente fazia o ponteiro girar: a lei de talião foi amplamente debatida e defendida como melhor opção por advogados e clientes presentes. Alguns representantes da classe dos advogados defendiam o bacharelado e criticavam a prova da OAB. Um auxiliar reclamava dos salários baixos, um estagiário dizia que a profissão gerava possibilidades financeiras baixas. Nisso uma senhora loira, bem vestida e de aproximadamente 45 anos criticava a justiça por que o filho dela não tinha passado para uma universidade pública enquanto os filhos dos negros que estudavam em colégio público passavam. (Deprimente)

Mais ao lado uma advogada instruía o cliente como se portar diante do Meritíssimo e no outro lado do corredor a Parte Ré e Autora de uma outra ação gargalhavam juntas falando entre sorrisos dos bons momentos vividos na época em que trabalhavam juntos. O auto falante gritava números e nomes e a hora passando sem pressa, enquanto eu prestava a atenção no papo de 7ª Vara.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Campanha na Mauritânia

Eu acompanho o blog mochileiroselvagem.com e recentemente vi a foto abaixo



Só posso dizer que chorei, chorei emocionada e com vergonha não pude olhar novamente ao rapaz que passa.

Essa foto é de uma campanha eleitoral na Mauritânia, feita por um amigo, mas meus olhos sentem dor diante do que é visto na foto. Essa esperança humana, essa esperança puramente humana, que não sabe por que vive, mas vive e sobrevive.

O rapaz passa e olha para o fotógrafo, e ve alem do fotógrafo, ele enxerga a mim, que estou aqui do outro lado da fotografia ele me vê e me encara e me indaga calado, eu na minha ignorância e apatia o vejo e ele passa, sabe que não vale a pena parar.

Meus olhos fecham, tenho vergonha, por mim e pelo mundo, não só pelo que acontece aqui mas pelo que está acontecendo em toda a parte.

Essa campanha na Mauritânia me elegeu o ser mais estúpido do planeta, sinto vergonha, sinto muita vergonha.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Um e-mail tão ridículo quanto uma carta de amor

Oi amor,

hoje já não se escrevem cartas. Vive-se na abreviação das salas de bate papo. Mas, isso não diminui e nem dismistifica a ridicularidade desse email que te escrevo.
Docinho, estou com saudades de você. Sim, meu bem, nesse instante em que te escrevo são os seus olhos que eu vejo e o teu sorriso que me sorri.
Oh vida! Paixão, alegria, são tão únicos e mágicos esses momentos que desfruto contigo. Mesmo que separados por um oceano e tantas fronteiras.
Transbordam em lagos fundos os olhos meus ao pensar da distância que nos consome.
Ah! Amado, como eu queria estar aí ao seu lado, falando-te todas essas palavras esdruxulas, mas tão cheias de afeto.
Talvez eu seja ridícula, mais ridícula do que as palavras ou do que as cartas de amor que não foram enviadas e até pior do que aquelas que foram sentidas, mas que nem foram escritas.
Sendo assim, esse email que busca um argumento de valor nas palavras do Pessoa é apenas uma forma de uma pessoa, que não é poeta e nem lusitano, dizer para você que sente a sua ausência agora e que te adora no sempre que se renova no virar de cada ponteiro do relógio.
Esse tempo tão efêmero e tão ridicularmente angustiante que é a espera da espera por notícias suas.

Beijos coração, saudades de você.

Poesia de Fernando Pessoa

Piegas esse email, né!!!!

Vitoriosos são os que dão o primeiro passo em direção aos sonhos


O horizonte sempre parece mais próximo para aquele que caminha.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Esse post está dançando

Eram 20h30, eu estava entediada comigo mesma e recusando-me a qualquer atividade que não fosse ficar debaixo das cobertas. Mas, eis que o telefone toca e é um querido amigo de perto, mal entendo o que ele fala, mas aceito ir.

Minutos depois estamos nós chegando na academia de dança, passamos uma hora dançando. Reencontrei o professor de forró que me ensinou todos os passos de forró que eu sei, hoje. Alguém que eu admiro e vi, também a esposa dele que está linda grávida de 6 meses. Por consguinte vi pessoas conhecidas e conheci novas.

Ou seja, se eu estivesse em casa não teria dançado, aprendido a conduzir o "elevador" e nem me divertido. No forró a condução é uma atividade exclusivamente masculina e o "elevador" é um passo em que o cavalheiro ergue a dama ao alto equilibrando-a por um dos joelhos e sustentando-a no ar por alguns breves segundos. Logo, fui dama e cavalheiro no intervalo de uma hora. Por uma hora, não existiu problemas, trânsito e a Terra não rodava lá fora, nenhuma buzina ou ligações indesejadas de hospital e financeiras, nada no ouvido além da marcação do baião, xote e pé de serra e assim as horas se arrastaram nos 60 minutos da eternidade de não ter peso nos ombros.

Então o ponteiro menor decretou fim de aula e cada um se foi. Voltei pulando na calçada e rindo por estar aliviada, provisóriamente, desse peso que a responsabilidade joga sobre nós com o passar dos dias.

Sim, esse post está dançando e eu também. Lição do dia:

As estrelas continuarão a brilhar lá fora mesmo que haja trevas dentro do abrigo. Portanto, para se ter como teto o infinito de constelações pode-se começar abrindo a janela.

Obrigada Thomazelli (Tomtom)!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A coerencia nos ditos populares

Aos 10 anos de idade eu tive um professor de educação artística chamado Jorge. Creio que ele nem saiba a importância que teve na minha vida. Um dia em um trabalho escolar ele contou sobre os ditados ou ditos populares.
Falou que muito do que se falava era advindo de uma sabedoria popular. Que era importante sabermos e, principalmete, refletirmos sobre eles fazendo uma relação com a nossa vida. Ah se ele soubesse o quanto tinha razão. Vou levantar alguns mais conhecidos e traçar um paralelo com minha existência.
Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come - as vezes não há escapatória
Entre a cruz e a caldeirinha - as vezes não há escapatória mesmo
Em terra de cego quem tem olho é rei - melhor se fingir de cego ou se descobrirem vão te cegar
Esse vai ser um post longo que vou continuar por partes.

O uso correto da mentira

Na infância eu fui cobrada por pregar pequenas peças e por inventar histórias.
Como não sabia como obter atenção inventava várias mentiras, ao passo de que tão fantasiosas eram facilmente descobertas.
Com o passar do tempo e com a vida social algumas omissões de fatos e opiniões se tornaram necessárias para uma convivencia amistosa.
Mesmo assim não tardaram cobranças, onde minha sinceridade era posta a prova e onde sempre havia um "arauto da verdade" a me cuspir sentenças. Assim, quando a verdade, meu ponto de vista, era publicizado gerava um mal estar e eu angariava sérias inimizades. Quando omitido gerava indignação e, consequentemente, sérias inimizades. Então, desde a infância eu venho tendo problemas com o uso correto da mentira.
Existe um dito popular que traduz bem a questão posterior: "Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come". Ou seja, de qualquer jeito alguém sempre se dá mal. Portanto eis a questão:
Mentir e se ferrar ou não mentir e se ferrar?