domingo, 31 de maio de 2009

Sobre mensagens offline

Acontece aquela espera angustiosa, de um sinal luminoso ou sonoro.

Aceita-se o vermelho do ocupado e até o laranja do ausente. Mas, busca-se em verdade o verde do disponível e assim segue a espera.

Então a quem se espera não aparece, o tempo se vai. A lan house vai fechar, está no limite da hora, amanhã acorda cedo, a irmã que usar o computer, o síndico avisou que vai faltar luz e tudo conspira para que o Sair seja clicado.

De coração partido, caído, descolado no chão lacrimoso da saudade pungente e da expectativa frustrada o caminho do dedilhar de teclados avança para uma página que se sabe de antemão não representar alguma imediata interatividade. A página para mensagens offline.

Não existe nada mais triste do que falar para quem não está. Para quem no imediato das horas não lê e consequentemente não responde. Fica-se um vácuo. Uma lacuna existencial naquela comunicação que devia acontecer interligadora, mas que agora parece um bilhete pregado na geladeira.

Terminada a mensagem offline, ainda é possível ver a janela de com quem se buscava falar aberta e minimizada na parte de baixo. Mesmo depois de escrita a mensagem a janela de diálogo fica aberta. Revela a continuidade dessa esperança por colorido que pisca e alerta quando o longe deixará de ser para realizar a proximidade que possibilitam as telas e teclas.

Enquanto se clica para fechar, esse último piar de esperança, abre-se o monólogo feito pelo portador da ansiedade que por tanto tempo aguardou. Assim, a tela aberta expõe um texto que não tem nada de lógico, pois dependeria exatamente da outra parte, da contrapartida e da resposta. Assim, o cursor vai até o X branco de fundo vermelho no alto da tela que não demarca tesouros em mapas, mas o fechar de um tesouro.

Sendo assim, um monólogo que buscava ser diálogo termina em uma janela solitário falando sozinho, como se falasse com outra pessoa. Porém, essa pessoa não está e portanto não responderá.

sábado, 30 de maio de 2009

Perseguida por um Alô


Hoje não teve jeito aquele Alô de ontem veio me aterrorizar em diversas ligações profanas. Quando Bell inventou o telefone ele não sabia que iria se tornar algo tão popular e as vezes tão invasivo e questionador.

Ah!!! Bell, se tu soubesse que exitiriam trotes e ligações que anunciam falsos sequestros; que alguém iria ligar autorizando soltar uma bomba H, que alguém iria usar o telefone para ligar os fornos em Auschwitz. Será que ainda assim você iria inventá-lo? Talvez inventasse para que uma ligação avisasse da disponibilidade de um coração para transplante ou simplesmente para contar do fim da guerra. Acredito que inventaria independente da má utilização do mesmo para que a humanidade pudesse aproximar-se mais.

Sim, Bell eu entendo suas razões. É por isso que independente do que eu suponha ser o assunto eu sempre digo Alô! Essa esperança que você deixou discada em nós.

"O chefe da polícia pelo telefone mandou avisar que na praça 11 tem um vídeo poker para se jogar." Música popular brasileira

"E quando eu digo Alô! Falar de amor as vezes sofre e mexe com meu coração, me faz pensar que ainda me ama..." Música popular brasileira

"I just call to say: I love you, I just call to say how much I care." Música americana

"Ja no responde ni teléfono, pende de um hilo la esperanza mia." Música latina

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Quando o alô te persegue

Existem momentos em que não podemos dar atenção ou em que realmente não podemos falar ao telefone. Hoje, eu estava fugindo do telefone. Não de qualquer telefonema. Mas, de um em especial, de um que eu sabia que não poderia escapar.
Quando o telefone tocou na sala eu sabia, pressentia e supunha do que se tratava. Lá estava eu fugindo de uma nova tecnologia, correndo da modernidade por não saber o que dizer para quem me procurava e esperava do outro lado da linha. Evitei ficar olhando enquanto ele me perseguia por todos os cantos, tentanto me alcançar.


Segundos depois era possível ouvir em bom tom: alô!!!

domingo, 24 de maio de 2009

Vaquinha

Durante um frio inverno, um Monge e seu discípulo viajavam para uma aldeia muito distante.
Para chegar até o destino eles tiveram de optar por um caminho novo pelas montanhas.
A estrada era de pedra e gelo, uma subida muito íngrime e muito pouco se via com a densa neblina. Por causa do ar rarefeito eles quase não conversavam. Tinham de vencer rapidamente a montanha, pois tinham poucas provisões e o inverno estava ficando cada vez mais rigoroso.
Em uma curva porém eles se depararam com uma espécie de casa, era um conglomerado de madeira e lama que erguiam umas palhas trançadas, mas de dentro de lá saía uma fumaça e um cheiro muito bom de leite quente.
Com fome os dois andarilhos resolveram ver se pelo menos poderiam se abrigar da neve que começava a cair fina e insistente. Ao cruzarem o que devia ser a varanda eles viram uma vaquinha. Magrinha, de ossinhos envergados o frágil animal abrigava-se ali, escondendo-se do frio e do forte vento.
Eles bateram na porta e foram recebidos com muita alegria pelos moradores do local. Ficaram muito contentes em ver pessoas, pois raramente alguém passava por aquele caminho. Tinham também muita honra de receber um Monge em casa, pois a figura de um homem religioso para eles era muito importante.
Os quatro moradores da casa dividiram com eles a refeição e prepararam mais comida, tinham pouco, mas o que tinham não se incomodavam em dividir. Assim passaram a noite e no raiar do dia as nuvens mais escuras tinham se dissipado e a neve estava derretida pelos raios de sol.
Logo, o Monge e seu discípulo podiam continuar sua jornada. Sendo assim, despediram-se dos moradores e saíram de volta para o seu caminho. Da frente da casa o Monge avistou a vaquinha que pastava perto de um desfiladeiro. Caminhou até ela e viu a força e a beleza daquele rude animal, mas que demonstrava sérios traços de cansaço.
Ele segurou na corda que a amarrava e caminhou com ela, fez com que ela andasse, deram voltas e voltas no extenso terreno. De perto o discípulo se encantava com a facilidade que seu Mestre tinha para lidar com os animais.
O Monge então faz uma reverência a vaquinha que começa pastar no capim verdinho da ponta da montanha e então o Monge toma-se de força e empurra o bichinho lá de cima.
Assustado o Discípulo olha para o Monge que retorna para a trilha na montanha. Inconformado com o que houve o Discípulo para o Mestre e esse olha-lhe de uma forma tão serena, que o Discípulo desiste de perguntar.
Terminam a jornada, chegam na cidade de destino e depois de dois anos retornam pela mesma estrada, mas na curva eles não avistam mais aquele casebre e sim uma enorme residência. Com muros altos, um belo telhado, um jardim colorido e diversas árvores a Mansão evidenciava uma rica vida dos moradores. Sem entender nada o Discípulo olha para dentro do portão da atual mansão e vê os antigos moradores daquele casebre só que agora bem vestidos e aparentando riqueza.
Ele olha para o Monge e diz: fizestes esse milagre, mestre?
Ao que o Mestre responde: sem aquele infeliz animal para prover-lhes as necessidades, eles tiveram de trabalhar.

Moral da história: tem sempre alguém fazendo a gente de vaquinha

quarta-feira, 20 de maio de 2009

No soy yo, ésta es mi madre, cuando joven!

Pasé una infancia escuchando a las sospechas de los vecinos y conocidos acerca de la posibilidad de yo ser una hija adotadiva. Cuando chiquitita yo era un poco rubia de cabello muy suave y largo.
Ahora, en la edad adulta, en comparación con fotos antiguas de mi madre, parece que soy un joven clon de ella. Estoy muy contento de tener la apariencia que se asemeja a mi madre.
Porque ella es alguien que me inspira a vivir.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Em algum lugar do passado

Existem
Interligam-se
Convivem
e conversam entre si
alguns momentos de nosso passado.

Tão pesado
e leve
passado.
O mesmo das fotos
arquivadas
em álbuns ou cds.
O mesmo das músicas
cantadas
e daquelas tocadas no íntimo da mente.

Tenho agora no sono pousado
o segundo mordaz da fotografia
que deu origem ao desenho.
Vinda de algum lugar do passado.
Do qual eu me sinto bem
em recordar.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Debajo de la Línea del Ecuador, tiene mucho que se conozca

Hay un país por debajo de la Línea del Ecuador que se vende en un lugar diferente en las páginas de revistas. Este país no tiene nada de que se pueden comprar en los libros de historia e incluso el color de los mejores deportes escudos.
En este lugar no existe la comprensión de las guías de viaje, y no ser tan perfecta como las fotos que ilustran las tarjetas postales. Sí, este lugar no hay un mito y sino una realidad. La realidad no es perfecta.
Una dulce realidad de un pueblo amable y cortés. Que puedan sospechar de usted, pero que le da el beneficio de la duda. Un país con los contrastes sociales, a partir de una reciente crisis económica, los supervivientes de una dolorosa dictadura. Este país no está cerrado, un país que clama en plazas, en pisos y paredes. Un valiente país. Gloria, victorias y derrotas. Pero no un país de perdedores.
Debajo de la Línea del Ecuador es un lugar que podría ser cualquier país. Un guerrero y fraternal pueblo, expresada en las más bellas formas de arte.
Dicen que son verdaderos descendientes de los europeos, pero en verdad son la renovación latina. Caliente, apasionada, profunda y libertaria.
Con gran honor yo quiero mirar pero una vez más suaves olas de la bandera en la frontera de la hermosa Argentina.

domingo, 17 de maio de 2009


sábado, 16 de maio de 2009

Bichos em albergues

Existem diversos relatos de problemas com alguns bichanos desagradáveis. Tem gente que encontra insetos, roedores e até aracnídeos nos hostels/albergues. Entretanto, eu encontrei 3 grandes e nocivos répteis australianos.
Eram bichos de sangue frio.
Na verdade não eram bichos, eram pessoas de sangue frio que não só me deixaram preocupada sobre como é vista a mulher latina no exterior como fiquei preocupada com as conterrâneas paraguaias mediante a frágil e omissa Constituição do Paraguai em relação aos filhos da pátria residentes no exterior.
Assim que cheguei no Brasil não consegui dormir direito, pensando que estaria em perigo perto daqueles 3 espécimes que viam-me como presa fácil. Contudo, eu pude vir embora e as meninas que ficaram por lá, com aquele sotaque distinto, peculiar, do Guarani, será que conseguem dormir direito?!... Que desconforto só em pensar.
Crocodilus australianus perversus

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Saudades de Dya

Saudades de Dya

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Casa Rosada

Detalhes de rodoviária

Os olhos do canto

Lugar onda
Embarca a chuva
Gotas de ar
Teto, luz. Cobre
Relento frio
Souvenir, carimbo terapeutico
Solas soltas que puxam rodas
Sonoplastia de percurssos.

Encurva
Cavalgam as mochilas
O relógio espera
Ponteiros obssessivos
Fiéis paranóicos
em filas e veias
Gira vitrola
Corpo cadeira.

Bonés vasculham
Horizonte quadrado
Velhos hábitos e
cabeças ficam
Os olhos do canto
viram e virão
Verão.

Escadas sobem e descem
Aflitas cabines idiomáticas
Valores, dobraduras
Mímica, tremor, luvas
Um adeus perde-se da mão
e vai infinito.

Aspirinas dão carona
No guardanapo Sorrisos
Números aplaudem
Placa plataforma
Alucinam rebolativas buzinas.

Tatuado o papel
A janela ancora o espaço
Definido o nublado
Floresce silêncio

Flutuante cimento
Manchas auditivas
Intermitências cartográficas.

Degraus e sussuros
Na caixa assobiam



InspirAspirações.

Impressões



quarta-feira, 13 de maio de 2009

No momento toca em meus ouvidos:

Chão de Giz
Zé Ramalho
Composição: Zé Ramalho


Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um Chão de Giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes...

Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe
Um grão-vizir
Há tantas violetas velhas
Sem um colibri
Queria usar quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus
Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom...

Agora pego
Um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Prá sempre fui acorrentada
No seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy"
That's over, baby!
Freud explica...

Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular...

No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais!...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Adeus Argentina, até logo!


Unidos pelo respeito aos latinos

Curso cancelado. Volto antes para casa.
Sem màgoas da Argentina, apenas com a certeza de que a mulher latina ainda è muito discriminada pelos estrangeiros.
Essa luta agora è minha. Lanco a luta contra a discriminacao da pessoa humana.
Nao foi o fato de encontrar hostilidade nessa cidade que por isso desistirei. Estarei aqui para cobrar respeito pela pessoa humana, seja ela quem for. Nao, agora. Nesse momento, retorno ao meu paìs. Quero estar perto de minha mae para que ela reestabeleca, plenamente a saude.
Depois retornarei aqui, voltarei a Buenos Aires e veremos como isso ficarà.
Um argentino ainda a pouco me disse "náo desista da Argentina, nem de Buenos Aires".
Sim, companheiro nao desistirei por que a luta de um de nòs è de todos nòs. Lutaremos pelo respeito aos latinos e pela nao discriminacao da pessoa humana.
Mas, o fato è que deixo a charmosa Buenos Aires chocada com a violencia com que os estrangeiros tratam os latinos e com a violencia com que somos recebidos. Pois, aqui tambem sou estrangeira.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

No hostel

Entrei no hostel de olhos molhados.
Quando no quarto chorei.
Chorei por estar sozinha.
Chorei de saudades da minha mae, da minha familia e
Chorei de tristeza pelo preconceito das pessoas. Senti-me triste. Durante um bom tempo fiquei sentada apenas chorando. Mas, depois fiquei com esperancas novamente para o dia seguinte, tomei banho e fui dormir. 12h de puro sono para recuperar as noites nao dormidas desde o Brasil.

Agora preparo-me para sair na Argentina pela primeira vez. Hasta la vista!

Passageira 35 - Juan Carlos e David

Eram para ser 36h de viagem. Mas, foram 40h.


Embarques, desembarques, cadeiras ocupadas e vazias, pessoas que iam e vinham. Alguns desvios, estradas bloqueadas, problemas no ar condicionado e fora a troca de motoristas. Depois disso, creio que o importante foi o fato de que provavelmente tenha sido possibilitada a mudanca na percepcao de algumas pessoas, inclusive a minha.
Conheci dois argentinos, pai e filho, Juan Carlos e David. De pronto o Juan Carlos demonstrou ter certa desconfianca sobre mim, mas sempre me tratou com muita educacao. O David nao tinha nada de tipico para um adolescente de 18 anos, pois conversava sobre tudo de politica a familia, de relacionamentos a eduacao. Eles tinha vindo ao Brasil e ido na Bahia, Morro de Sao Paulo para um casamento. A perspectiva que eles tiveram da mulher brasileira no tempo em que ficaram la foi de que 9 em cada 10 mulheres brasileiras eram ''putas''. Com isso o que pre conceberam a meu respeito foi de que deveria ser uma ''puta'' tambem. Foi necessario as 40h de viagem e muita conversa, mas por fim creio que perceberam que eu era apenas uma mulher viajando sozinha para conhecer a cultura de um pais diferente.
Ficaram surpresos quando, realmente, permitiram-se saber quem eu era e a minha vontade de conhecer o mundo eles chamaram de ''valentia''.
Eu por minha vez fiquei mais uma vez decepcionada com as pessoas que julgam sem conhecer. Acho que consegui passar isso para eles sobre a importancia de nao julgar uma pessoa por outras do mesmo pais. Acho que eles entenderam que cada um tem sua peculiaridade.
No final da viagem eles me disseram como agir, onde nao ir, horarios que deveria ter muito cuidado, precaucoes com coisas e pessoas e muitas outras dicas. Me deixaram na porta do albergue e o David ate falou com o rapaz da porta em espanhol que eu tinha uma reserva para que eu nao me enrolasse por nao falar castellano. Depois eles partiram para o destino deles e eu entrei para o hostel. Se eu consegui mudar a percepcao deles em relacao a mulher brasileira que viaja sozinha eles devem saber que mudaram minha percepacao a respeito dos argentinos. Pelos menos esses dois, primeiros argentinos, que conheco foram comigo buenas personas e estavam abertos a conhecer a verdade por traz dos esteriotipos.

(Na foto: Boliviano, David, Eu e Juan Carlos - na parada no Uruguai para carimbar os passaportes)

terça-feira, 5 de maio de 2009

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Passageira 27

Depois daquele filme com o Wesley Snipes "O passageiro 57" (de 199?) chegou na tela do seu monitor a versão feminina: "Passageira 27". Versão tropical: sem avião, pois não estou em Hollywood e sim de ônibus para São Paulo e depois para Argentina.
A verdade é que estou indo para Buenos Aires e meus planos eram os seguintes:
pegar um bus em Nicty e vir para Sampa (ok) depois pegar um ônibus às 22h30 de hoje, semi leito, em Sampa e chegar em Buenos amanhã às 23h30 (não não e não). Surpresa: o ônibus vai sair às 22h30 de hoje, é convencional = dor no pescoço e coluna e chega em Buenos na quarta feira meio dia = muito chão pela frente.
Responda-me com sinceridade de que adianta os planejamentos, se a vida não quer ser planejada?
Detalhes até chegar na rodoviária:
levei 1h para me despedir da minha mãe e saí, peguei um ônibus e fui para o meu apartamento, arrumei as coisas que faltavam, fui em busca de uma casa de câmbio, troquei o dinheiro, fui em busca de manicure, depois fui procurar um cadeado e não achei, fui ao banco e enfrentei fila e um caixa eletrônico que cuspia o meu cartão, voltei para o apartamento, tomei banho, coloquei a mochila nas costas e fui a pé para a rodorviária (20 min, a pé, de distância) querendo no caminho encontrar o tal cadeado que eu não encontrei e ainda deu tempo de fazer um lanchinho (mas, não bati o meu recorde de lanchar em dois minutos, que consegui ontem) - Fiz tudo isso no tempo entre 8h e 11h45.
Sou quase um astro de cinema, um daqueles mutantes velozes ou, simplesmente e provavelmente, só uma pessoa que deixou tudo para cima da hora.
Na rodoviária nada demais, só aquele medo e frio na barriga de ter algo errado com a passagem e enquanto eu digito esse post em uma lanhouse caríssima no Terminal do Tietê fico pensando se há algo errado com o passaporte. Aquele medo básico de pessoas que sempre ficam presas nas portas giratórias dos bancos.
Até o próximo post com a continuação em "A passageira 35". Tomara que seja uma triologia e depois tenha a passageira "51".
Andréa Mirati - Mochileira solitária de primeira viagem.

domingo, 3 de maio de 2009

Caso eu morra em viagem.

A minha Mamãe herda tudo o que não estiver listado abaixo.
Para Pepa eu deixo a minha coleção de carrinhos, o dedoche do cebolinha e os instrumentos musicais.
Papai fica com todas as contas, inclusive as despesas do enterro e funerária. Além de todo e qualquer livro de Direito que tenha sido meu.
O Flavio deve receber os livros do Graciliano Ramos e do Dostoiévski.
Entreguem ao Thiago os livros que são dele e o songbook do Vinícius.
Ao Raphael cabe os livros que são dele mais o livro "Cem anos de solidão".
Entreguem a Svoboda a canga da pucca, a Ana Lúcia o livro "A hora da estrela" e a Giselle Dias a pulseira de olho de tigre.
Localizem Sylmar entreguem o livro dela "Elizabeth Costello" e digam para ela ficar com o "Amor líquido".
Para Lya deixo o DVD do Filme "Os incríveis". O allstar de lantejoula rosa eu deixo para a Laís, que mora no condomínio. O DVD "Amistad" vai para a Alaíde, em São Paulo. Já os itens emprestados ficam para aqueles a quem eu emprestei.

Notas sobre o enterro

Nada de fotografias.
Recitem poesia ao invés de sermões.
Sem velas, flores mortas e músicas fúnebres.
Podem chorar, mas sem drama.
Saibam que podem doar o que servir do meu corpo inerte.

Mas, se não for possível fazer o que está acima, caso eu morra em viagem, ponham o meu passaporte perto de mim para que assim eu continue ultrapassando as fronteiras e conhecendo novos mundos.
Desde já, gostaria que soubessem que eu vivi feliz.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Uma imigrante de procedência questionável

Um avião aterriza nele vem a Gripe que tanto aterroriza.
Ela, dissimulada, se disfarça de resfriado, desce as escadas e vai em direção do portão de desembarque.
Lá uma verificação de saneamento está fazendo a revista. Logo atrás, na fila, alguém comenta que uma Asma e uma Rinite foram detidas para averiguação. Ainda assim ela avança, segura de si, passa por entre os cães/guardas e consegue entrar no país.
Ela comemora por deixar aquelas "vidinhas" de Gripe de 3º mundo e agora se sente internacional, com o nome importado e tudo mais. Porém, como bom fruto da imigração clandestina ela não consegue se manter sozinha nesse tempo de crise global e acaba por se vender em algumas esquinas, nessas bancas, bancos e becos.
Essa Gripe, gaiata, subversiva e barata. Gripe prostituta, prostituída por essa mídia cafetina, que em troca de uns minutos de fama institui medo e cáos.