quinta-feira, 30 de abril de 2009

Gripe suína, mídia porca e holocausto

Os noticiários nos vendem de tudo. Recentemente pode-se comprar uma crise econômica. Os Estados Unidos demonstraram uma inaptidão para se reorganizar e uma crise de proporções globais se instalou. Quem demonstrou mais discernimento para o enfrentamento foi a América Latina encabeçada pelo Brasil.
Mas, agora que o monstro da crise não assusta tanto cria-se um outro para aterrorizar o globo e com proporções muito mais complexas. Portanto, vende-se uma Gripe suína nas porcas mídias de massa. Não se pode negar a existência do tal surto. Porém, dizer que a tal "Gripe" é mexicana representa um repúdio a América Central e do Sul (México no mundo real não é considerado América do Norte) e, consequentemente, para todos os latinos que vivem no exterior ou que tenham intenção de viajar em nível internacional. Basta fazer uma busca na internet ou bancas de jornal ou assistir algum telejornal para observar os títulos das matérias vendidas nos diversos meios de comunicação:
  • Brasil monitora 36 casos por gripe suína: dois são suspeitos (a matéria lança a possibilidade de 36 casos, mas se sabe de antemão que apenas dois são suspeitos. Portanto, quando se fala em 36 é para causar pânico e lucrar. Lembrando que estima-se ter 183,9 milhões de pessoas no Brasil para dois possíveis casos);
  • Obama promete manter a fronteira com o México aberta apesar da Gripe suína (se ele diz que vai manter aberta é por que já analisou a possibilidade de fechar. Sendo que isso é o que boa parte dos americanos sempre quiseram: evitar a entrada de latinos em seu país);
  • Cálderon pede que os cidadãos fiquem em casa a partir de sexta (como fica a economia mexicana sem os mexicanos indo ao trabalho ou escola? Se é para ficar em casa, além de gripe o que ocorre quando os hermanos resolvem ir para a rua? Estado de Sítio, quarentena, medida de saneamento);
  • Peru confirma o primeiro caso de Gripe suína na América do Sul (essa confirmação traz o alerta para todos abaixo da linha do equador que poderão receber a mesma sanção "normas de controle de saúde" que o México está recebendo);
  • Gripe suína: México é um país cada vez mais isolado (são isolamentos econômico, comercial e de trânsito de pessoas, além da notória restrição de liberdade).

Essa Gripe suína além de restringir o livre acesso pelo globo, lança diversos outros pontos implícitos: deixem os mexicanos para que morram no México; não permitamos latinos contaminados andando por nossos países; evitem os latinos eles devem ter a "gripe"; fechem seus aeroportos e evitem viajar; não importem, comprem ou consumam produtos mexicanos pois devem estar contaminados. Se continuar assim será necessário apenas um pouco mais de dose de pânico coletivo para virar um novo holocausto.

Pode parecer exagero, mas esse filme é reprise. A diferença era que os Judeus não tinham gripe, eles foram tidos como a própria doença. Essa gripe pode ser usada para unir o globo nas questões de publicidade nas pesquisas de vacinas e medicamentos e que os mesmos devam ser democraticamente, gratuitamente, distribuídos para evitar uma contaminação global, mas também pode servir para o repúdio aos latinos. Sabe-se muito bem que culpar um povo por determinado problema é comum e o pior é que isto é facilmente aceito pela população. Dessa forma, faz-se mister necessário atenção para que a Gripe não se torne motivo para restringir a liberdade dos latinos e consequentemente a vida.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O mau da observância

I

A madrugada leva para casa.
A manhã intima para a rua.
A tarde convida para charadas, mas eu descubro aonde devo ir.
Tento o telefone e os números não querem falar comigo.
Vejo letreiros e placas perderem o sentido.
Ônibus errado.
Ônibus lotado.
Identifico-me. Subo atenta.
As setas e os corredores em labirinto me conduzem para a porta entreaberta.
Entro sem que ninguém me perceba.
Na cama, uma mulher semi nua geme; é minha mãe. Primeiro dia de hemodiálise.
II
Ela estava sozinha com a própria dor.
Dor que só ela podia sentir.
Dor que é o caminho egoísta do enfermo.
As máquinas entraram
Segurei-lhe a mão morna de febre que me congelava.
As máquinas ligaram
Engrenagens que tingem-se de vermelho enquanto a enfermeira questiona a minha vida.
As máquinas cantaram alarmes e falaram ruídos, esse idioma que eu descoheço.
Um número a cobrar me retorna, desço. Na minha frente uma figura me espera mas eu não a vejo. Me perco. Rodopio em danças da qual não faço parte e retorno. É tempo de acompanhar mais uma hora.
As máquinas silenciam
Uniformes brancos e tagarelantes transitam.
As máquinas vão para o canto
O quarto escurece e dorme.
III
A dor de acompanhar é saber que a única coisa que se pode fazer é observar.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Assuntos paternos

Na minha adolescência eu achava que odiava o meu pai, naquela época eu tinha ciúmes da minha mãe e não o queria por perto. Com o passar dos anos eu percebo que nunca o odiei, tive sim muita mágoa por divergências e por alguns fatos históricos marcantes no nosso percurso. Mas, ódio e rancor não fizeram presença nessa relação.
Hoje, eu estava olhando ele enquanto ele se propunha a me ajudar com um determinado problema e vi um velhinho que do jeito dele tentava resolver tudo para mim. Dentro da perspectiva dele eu não devia sofrer e nem ter contratempos, ele naquele segundo estava tentando mover céu e terra para que eu tivesse sanada todas as questões que me afligiam. Daí eu me recordei de algo, não disse para ele, mas eu me lembrei de um dia em que recebi uma advertência no colégio por "mau comportamento" e enquanto eu chorava envergonhada ele me pegou no colo e me abraçou. Fiquei chorando esperando uma bronca ou coisa do gênero, mas não houve.
Hoje, quando vi ele abrindo mão dos próprios afazeres e tarefas para se comprometer em me ajudar compreendi que nesse momento, em especial, ele estava novamente me carregando no colo.

Problemas com ervas daninhas

Em um vale um homem caminhava a procura do lugar de seus sonhos, durante boa parte de sua vida ele se dedicou a procurar o local idealizado, onde enfim poderia descansar e ser feliz. Caminhava, parava, analisava os lugarejos e voltava na sua busca incansável. Até que um dia, após tanto esforço ele foi recompensado, conseguiu encontrar o espaço tal qual havia imaginado. Igualzinho como ele sempre quis.
Todavia, o lugar já tinha dono. Entretanto, o homem estava ciente que aquele era o seu lugar e, portanto, conversou com o proprietário que alugou-lhe as terras com a condição de que para permanecer lá o homem deveria tornar o local produtivo, pois o pagamento do aluguel seria de acordo com a colheita.
Já pisando no lugar dos seus sonhos o homem tratou de semear e regar as sementes. Com o passar do tempo a produção era fantástica. Os pássaros e insetos ajudaram a espalhar as sementes e o vento também fez varrer por sobre a terra toda aquela fertilidade. Sendo assim, o homem relaxou e finalmente começou a gozar do merecido descanso.
Com a alta produção o proprietário passou a arrendar os terrenos vizinhos. Mas, o homem não sabia disso pois sua vida era contemplar a terra, o céu e os bichos dali.
Logo o terreno vizinho foi ocupado por um velho e alto senhor. Assim que se mudou o velho alto percebeu que não havia muros ou cercas que delimitassem as terras de seu vizinho e assim começou a fazer pequenas caminhadas em ambos terrenos quando não estava cuidando da própria plantação. Em sua terra o velho senhor tinha que arar, preparar o solo, adubar, cuidar para evitar insetos predadores, limpar e sempre tinha muito trabalho.
No período entre o plantio e a colheita, porém, o velho cada vez mais andava pelos outros terrenos visitando as casas e dava-se a prosear sobre tudo, principalmente sobre a vida alheia. Com o passar do tempo tornou-se amigo do proprietário.
Cobiçando o terreno do homem, o velho e alto senhor tratou de se aproveitar de umas ervas daninhas que nasciam por entre a plantação de seu vizinho e nesses canteiros começou a plantar sementes doentes que continham pragas para a plantação. Logo, a colheita do homem começou a dar sinais de problemas, mas ele não se incomodou e continuou a desfrutar daquela vida contemplativa e feliz.
Sendo assim, um dia o velho alto em uma conversa inofensiva com o proprietário falou da falta de cuidado das terras do vizinho e enalteceu as próprias qualidades como agricultor. Era um fato, o alto senhor tinha, realmente, bastante esmero com a plantação. O proprietário já conhecia-lhe as qualidades de trabalhador responsável e passou a ficar apreensivo com a pouca produção do homem, que era seu inquilino.
Tempos depois o velho novamente alertou o dono das terras para o surgimento de pragas e ervas daninhas e demosntrou preocupação, pois do jeito que a plantação do vizinho ia o homem provavelmente não pagaria mais o aluguel. O proprietário ficou indignadíssimo, ficar sem receber o aluguel era imperdoável. Assim, quando chegou na época da colheita e o homem não tinha como arcar com o aluguel o dono das terras o expulsou. O homem tentou justificar-se dizendo que a culpa não era dele e que não tinha feito nada para merecer aquilo. Foi acusado exatamente disso, de não fazer nada. As terras onde o homem tanto desejou viver foram alugadas para o velho e alto senhor, que muito satisfeito passou a plantar por lá. Como ainda não chegou a época da colheita, não se sabe se o plantio deu certo.
O que se sabe é que aquele homem tinha tanto procurado aquele lugar e quando, finalmente, achou não teve a prudência de delimitar o espaço que era dele e nem de cuidar para não perder. Ele foi-se embora e até hoje esperamos notícias.
Pessoas podem ser tão prejudiciais quanto as ervas daninhas das plantações.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Formigas


Saber:
as expectativas
as ansiedades
a espera
angustiada.

No basilar
tem-se um plano
mesmo que pontilhado
mesmo que rascunhado.

Mas, tem-se um plano
é o que imagina-se
para que mexer em
formigueiro se não for
para ver formigas?!...

domingo, 26 de abril de 2009

O dia começa com café

Nem pense que se eu estiver de pé, falando ao telefone ou mesmo lendo o jornal eu estarei acordada se não tiver café.

Eu nem preciso beber para acordar. Mas, preciso desse estreitamento de relações. Principalmente, se estou bebendo (álcool) para afogar mágoas há dois dias ou mais. Portanto, hoje, o dia começou agora apesar de eu estar de pé desde às 6h30. No entanto, só nesse instante fui fazer o café. Meu café. Tão pretinho, perfumado e delicioso cafézinho. Extremamente valorizado pelo meu sorriso diurno.

Sabe quando se põe a medida exata do pó e nem água quente de mais e nem de menos e o café sai na medida? Então, esse é o café de agora. Forte, sem ser amargoso e olha que foi uma marca nova que comprei no supermercado em promoção. Pois, o danado que me amanhece os dias solitários da bela Niterói anda caro demais para as minhas possibilidades financeiras.

Agora eu sinto na língua aquele sabor marcante e ainda tenho no olfato esse cheiro tão gostoso. Já que acordei. De repente esteja na hora de realmente acordar e ir para os afazeres. Posto que, o lado ruim do café é sempre despertar-me do sono, mesmo que sejam os seus grãos as sementes elementares dos meus sonhos.

sábado, 25 de abril de 2009

En Gole

Um cálice
Um vinho
Uma conversa

Um terceiro
Um intervalo
Uma inversão

Um cálice
Um vinho
Uma massa

Um terceiro
Um reclamar
Uma exclamação

Um vinho
Um terceiro
Uma terceira; maldição

Um tempo
Um momento
Uma possibilidade

Um dia
Um relacionamento
Uma escolha

Um assumir
Um surpreender
Uma sequência; esse vinho tinto desce seco.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Planos de viagem

Albergues cancelados. Excetuando-se Buenos Aires, vou durante a minha viagem ceder aos apelos dos meus pés e, dessa forma, traçarei essa jornada.

Portanto, mantém-se a ida para Sampa e a ida para Buenos Aires, mantém-se 4 dias em Buenos Aires, daí em diante só quando eu estiver lá que poderei afirmar. Saio de Niterói às 0h30 do dia 4/5, vou na poltrona 27. De Sampa saio ás 22h30 e vou na poltrona 35.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Esperar

Esperar é ter angústia sem desespero
é ter força sem violência
é saber que o tempo é um vilão contente
que pode em qualquer momento tornar-se amigo da gente.
Esperar é acreditar
é ser o sempre em cada instante
e alegrar-se mesmo quando no seguinte segundo o desejado não acontece.
Esperar é saber que algo existirá, eternamente pelo tempo que durar.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O arrependimento

As vezes a gente só precisa ir.

Um dia eu julguei que havia encontrado o arrependimento significativo da minha existência, o qual eu levaria para o túmulo com um despeito honroso.

Mas, de repente parei para pensar e considerei que o ocorrido foi no mínimo válido para o aprendizado. Portanto, não devo me arrepender.

Dessa forma, se algo não sai como o planejado eu busco compreender que o resultado que não sai como o previsto não significa que não tenha fluir na vida. Na melhor das hipóteses estarei mais atenta em outra oportunidade.

domingo, 19 de abril de 2009

Valentia

Aos valentes
é dado a chance da honra;
a precisão da coragem;
a ausência do medo;
a busca do risco;
a necessidade do enfrentamento.

Aos valentes é permitida a escolha de vida
ou de morte;
a chance de ser homicida ou suícida;
a oportunidade de salvar ou de macular.

Aos valentes é permitido ousar
para além dos liames da existência.
Os valentes são eternos até no seu último suspirar.

sábado, 18 de abril de 2009

No meio do caminho tinha uma escada

Houve uma vez que eu estava em uma caminhada e resolvi pegar um caminho novo. Alguns lugares dispunham de escadas, pontes e passadiços em outros o mato cobria a trilha e o precipício demarcava até onde se podia ir. Daí eu decidi tomar um caminho que não estava conservado, não mantinha o mesmo aspecto do restante da trilha. Então depois de muito sobe e desce e afasta mato, escorrega aqui e ali encontrei essa escada (da foto), que em algum momento deve ter tido sua utilidade. Olhei adiante e não me arrisquei para conhecer qual o caminho que ela teria levado algum dia.

No dia em que eu conheci essa escada eu estava ousando, o caminho onde estava essa escada já era outra ousadia, mas eu não desci por ela e explorei novos espaços, nesse dia diante dela eu fiquei cotidiana. Contudo, hoje, mochilar será descer por entre esses degraus, com riscos de tombos e arranhões e quem sabe o que eu irei encontrar, mas não posso continuar virando a cara para as escadas da minha existência.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Destino Argentina

Eu sempre tive vontade de mochilar

e juntei uns poucos centavos e estarei indo para a Argentina.

Saída de Niterói - 04/05 - oh10 - Destino São Paulo - Viação 1001 - Horário de chegada previsto para 6h10. Valor R$ 64,00 - Conv/ar.

Saída de São Paulo - 04/05 - 22h30 - Destino Buenos Aires - Viação Pluma - Horário de chegada previsto para 23h30. Valor R$ 247,89 - Convencional.

www.socicam.com.br (site para compras de passagens pela Internet)

Bus/taxi do terminal rodoviário para o albergue R$ ???

Estada em Buenos Aires - HI Milhouse Hostel - de 05 de maio até 9 de maio, 4 noites - Valor 42,00 USD

Buquebus de Buenos Aires até Colonia/Monteviéu - Ida e volta $273,10 + 16 USD em Colonia e + 17,50 USD em Montevidéu = R$237,00 (só se tiver sobrando grana)

Bus de Buenos Aires para Rosário -

Estada em Rosário/Santa Fé - La Casona de Don Jaime - de 09 de maio até 11 de maio, 2 noites - Valor 21,30 USD

Bus de Rosário para Córdoba -

Estada em Córdoba - Córdoba Hostel - de 11 de maio até 13 de maio, 2 noites - Valor 18,40 USD

Bus de Córdoba para Salta -

Estada em Salta - Backpackers City - de 13 de maio até 15 de maio, 2 noites - Valor 26,50 USD

Bus de Salta para Mendozza -

Estada em Mendoza - Campo Base - de 15 de maio até 18 de maio, 3 noites - Valor de 30,00 USD

Bus de Mendozza para Santiago

Estada em Santiago - HI Santiago - de 18 de maio até 20 de maio, 2 noites - Valor de 17000 CLP = R$64,48 Cotação do dia 17/04/2009

Bus de Santiago para Valparaíso

Estada em Valparaíso - Villa Maria Antonieta - de 20 de maio até 21 de maio, 1 noite - Valor de 7000 CLP = R$26,55 Cotação do dia 17/04/2009

Bus de Val Paraíso para Vina del Mar

Estada em Vina del Mar - Make Out Hostel - de 21 de maio até 22 de maio, 1 noite - Valor de 8000 CLP = R$30,35 Cotação do dia 17/04/2009

Bus de Vina del Mar para Santiago ou Pucon

E de lá de volta para o Brasil

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Tenho dois pés sangrando

Hoje eu tenho os pés sangrando.
Sangram por entre as unhas toda essa minha impetuosidade. Nada planejado, pois o que foi planejado mostrou-se insuficiente. Portanto, apenas o inevitável pode acontecer. De nada adiantou toda a minha precaução e atenção. O que foi surgiu independente da minha vontade.
Meus pés sangram e ainda assim segui andando, fui até o monte sagrado, na toca do rato e resgatei o pergaminho que me dará passagem para o outro mundo. Nenhum mago ou gnomo implicou com minha entrada no lugar, apenas deixei como registro gotas dos meus pés maculados. Depois disso quase não mais o senti, pois a felicidade de poder ter acesso aos outros mundos me deixou flutuante e meus pés agora descansam nas nuvens.
Até amanhã o dia em que terei de começar a andar em direção ao outro mundo e como será que se parecem as outras pessoas do lado de lá.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Frasegmentos

Quando eu era pequena eu achava que precisava de 3 coisas para ser feliz.
Uma bússola, um binóculo e uma máquina fotográfica. A bússola seria a precisão, o binóculo daria a certeza do lugar e a máquina fotográfica o registro do momento.
Eu era aquela criança, silenciosa, que traçava planos nos atlas de geografia, que sonhava morar no deserto, que conversava com as nuvens e que achava que tinha o dom de fazer chover.
Cresci e não quero ser uma flor de plástico a ornar o vaso da sala de ninguém.
Eu sou do Rio de Janeiro. Mas, não sei se serei só do Rio, quero ser de outros lugares.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Em busca do self

Eu tenho buscado encontrar a minha própria liberdade interna.
Dessa forma, tenho buscado refletir sobre minha prática e tenho tentado tomar posturas que eu normalmente não tomaria, mas que eu sei que podem me possibilitar encontrar-me comigo mesma.
Sendo assim, encontrei alguém em quem me espelhar. Mas a minha reforma íntima feminina ficou baseada em uma conduta tipicamente masculina.
Então comecei a me questionar se eu estava buscando me igualar a um homem, mas a verdade é que não tenho preconceito e nem vergonha em dizer que tenho orgulho de ver um homem com atributos morais e atitudes as quais eu gostaria de ter.
Logo, não preciso me envergonhar de querer colocar a mochila nas costas e me encontrar no mundo. Isso não é apenas moralmente uma atividade não esperada de mulheres, é uma atividade que exige da mulher uma auto confiança que lhe será válvula condutora.
Nesse caso, então bebo na confiança masculina e dentro das limitações financeiras e físicas eu começo a me preparar psicológicamente para me encontrar.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O que eu não quero

Hoje eu sei que não quero cuidar dos problemas alheios
e nem ouvir desaforos
Hoje eu não quero viajar
e nem quero comprar nada
Hoje eu não quero sorrir
e nem quero dançar
Hoje eu não quero participar do dia
pois o dia não me parece agradar
Hoje eu não quero viver
e nem quero acreditar
Hoje eu não quero sussuros
e nem dormir ao seu lado.

Hoje eu não quero passar a noite a te ver respirar
sentir seu cheiro no travesseiro e nem poder te tocar
Hoje eu não quero ver o teu primeiro sorriso do dia
e nem te ouvir falar
Hoje eu não quero ouvir falar de ti
e nem pedir para você me abraçar
Hoje não quero escutar você me falando dos seus amores
e nem contando os detalhes dos seus casos
Hoje eu não quero te ver
e nem quero viver esse dia
que começou com você me dizendo bom dia
depois de infernizar a minha madrugada, mesmo que apenas dormindo.

Mesmo que apenas surgindo por entre os lençóis e a manhã

Hoje eu não quero te desejar
e nem assumir tens domínio de mim

Hoje eu não quero discussões sobre a beleza do platonismo
Hoje eu vou ficar em casa e tentar não cruzar com você
em meus pensamentos

Apenas hoje. Amanhã eu tento outra coisa.

domingo, 12 de abril de 2009

Um passo


Pedra do Cão Sentado e vista do Mirante em Friburgo 11/04/2009

Ontem eu fui a Friburgo.
É um lugar que quem me conhece sabe que eu adoro. Mas, eu fui lá para conhecer uma pessoa.
A primeira pessoa que conheço da net. Confesso que tive aquele receio básico de que a pessoa me odiasse ou que fosse algo que eu não imaginasse.
A família dele estava morrendo de medo de que eu fosse uma bandida ou coisa afim.
Não é comum mulheres viajando sozinhas e muito menos para conhecer homens (mesmo que para amizade). Então cheguei com um esteriótipo formado ao meu respeito, mas acho que depois de um tempo comigo eu mudei a opinião deles.
A verdade é que foi um sábado muito divertido e agradável eu conheci, pessoalmente, indivíduos maravilhosos.
Se não tivesse ido e me arriscado teria passado um sábado convencional lendo e talvez na internet, mas como ousei, consequentemente acabei: andando de moto (morrendo de medo no início), subindo morro (de moto), me descobrindo sedentária (subindo o cão sentado a pé), rindo muito, conheci um amigo e fiz amizade com a família dele.
Voltei para casa com a sensação de que foi um dia perfeito. Foi um risco, mas esse valeu a pena. O mais engraçado que assim como eu arrisquei indo eles arriscaram me recebendo. Portanto o primeiro passo foi encontrar uma reciprocidade e uma receptividade.
Um passo de cada vez na minha libertação.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Vazia de mim

Hoje eu desci e enquanto descia, pensei em chamar uma amiga para ir comigo.
Mas, não se tratava de esporte, não era uma caminhada de perda de calorias.
Era uma caminhada para o interior de mim mesma. Precisava ir sozinha. Tenho que me habituar com essa solidão.

Enquanto descia e passava pela praça eu vi uma estátua que nunca tinha reparado. Dois moradores de rua banhavam-se no chafariz e a estátua assistia tudo, silenciosa, escondida pelos meus olhos cotidianos que nunca a notaram.

Assim eu fui andando... tentando prestar a atenção ao que antes eu não tinha prestado.
Na hora de atravessar a rua eu não tomei meu caminho habitual, mas um caminho que um amigo sempre faz. Mas, ao chegar na beira da praia eu voltei para o meu vazio e quando dei conta estava do outro lado.

Fiz o percursso de volta e encontrei-me em casa, novamente. E até agora não consigo fazer outra coisa a não ser estar vazia de mim.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Tenho dois pés calejados

Meus pés doem de uma dança mal sincronizada.

Tenho feridas de calos por todos os cantos. A verdade: odeio sapatos. Mas, gosto da idéia das solas, meus dedos não querem ser exprimidos e as mulheres usam saltos que putz são desconfortáveis.

Daí, é uma bela sexta feira e mal consigo ficar de pé. Quer saber, ontem saí com o pé sangrando e foi desagradável, mas preciso fazer isso hoje. Preciso mesmo, como eu nunca precisei antes. Preciso sair.

Daqui e a pouco eu volto mancando, para reclamar a existência humana e as estradas caóticas.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Frasegmentos

"Durante algumas vezes, confesso que me senti sozinho nessa minha jornada, mas tambem já tive momentos em que estive acompanhado e desejava estar sozinho, no fundo eu sei que essa jornada precisa ser solitaria, eu nao faria tudo o que faço se estivesse acompanhado, quando se trata de responder pela minha propria vida, é uma questao de responder pelos proprios atos, mas quando se esta acompanhado, voce carrega uma responsabilidade que te impede de agir por si proprio.05/04/09" - http://www.mochileiroselvagem.com/


Eu talvez esteja vivendo a mediocridade criativa de que tanto falava Shopenhauer.

Mas, as vezes quando o ônibus parte ou quando o barco ainda vai atracar eu me sinto de forma bem parecida. Hoje, uma pessoa não atrapalharia os meus planos. Não tenho muitos planos, só tenho tanto receio da banalidade e pavor de gaiolas.

Cansei de ser interpretada como um bichinho exótico. Eu sou um bicho sim, mas não quero ser presa e analisada para estudos e nem procriar em cativeiro.

Eu quero viver a minha natureza, a natureza da minha espécie humana curiosa e questionadora. Retirei o passaporte, agora, aos meus 28 anos, se me perguntar se fiz alguma coisa grande na vida, eu vou te dizer que essa foi a única. Toda a minha vida eu fui reclusa de mim mesma. Escondida em uma pilha de livros, que ainda são e serão talvez para sempre o meu lugar preferido.

Mas, tem uma coisa que só a estrada tem. A estrada não cobra nada. A estrada é mais livre do que eu. Ela vai embora sem mim, mas eu não vou embora sem ela. Ela corta as cidades e os corações da mata; eu corto os meus dias em cotidianos limitados.

Quando eu escrevo, é quando me aproximo da estrada. Já estive nela, não da forma que eu queria.

Mas, sinto uma estrada falar em mim. Assim como falo com meus sonhos, falo com minhas estradas interiores e elas levam-me para caminhos desconhecidos de mim.

sábado, 4 de abril de 2009

Pontes

As vezes eu sinto que eu tenho a oportunidade de cruzar as pontes. Quando olho percebo que muitas vezes tenho na claridade do dia um aliado valoroso.
Esse mesmo dia que me deixa espantada com todas as possibilidades.
Esse dia claro e cruel de escolhas.
Esse dia que tanto tenta me acordar.
Hoje eu abri os olhos e vi o mais belo dia, o dia em que eu estava cruzando uma ponte e não sabia para onde estava indo.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ceará/2008

Praias do interior do Ceará. Retiradas em viagem solo pelas terras patativanas

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Pisando na realidade

Tem um tempinho que não moro mais com meus pais. Mas, só fui me dar conta de que moro sozinha esses dias.
Esses dias eu estava atravessando a rua e uma pessoa acenou para mim. Eu olhei, olhei e demorei a reconhecer, mas quando percebi que era um conhecido eu acenei de volta; era um vizinho.
Só que ele não era vizinho da rua ou bairro onde moram os meus pais, ele nem mesmo os conhece, provavelmente. Aquele vizinho... era meu.
Terminei de atravessar a rua chocadíssima com a responsabilidade de ter que ter meus próprios vizinhos.